infomoney

Nvidia corre risco “catastrófico” e lembra bolha, diz gestor que previu crise de 2008

Nvidia enfrenta alerta de bolha, diz gestor que previu crise de 2008

26/02/2026 13h56
Atualizado há 23 minutos

A Nvidia (BDR: NVDC34) apresentou resultados que, novamente, superaram as expectativas, mas não conseguiram animar os investidores de imediato. As ações da empresa caíram acentuadamente em Nova York após o balanço, levando um conhecido investidor a emitir um alerta sobre o que considera uma nova bolha.

Michael Burry, famoso por prever a crise do subprime em 2008 e retratado no filme “A Grande Aposta”, declarou nesta quinta-feira (26) que a Nvidia se comprometeu excessivamente com compras para atender à demanda por chips de inteligência artificial. Ele alertou que uma desaceleração no setor pode provocar um impacto “catastrófico” nas finanças da empresa.

Na plataforma Substack, Burry enfatizou que a expansão nos compromissos de compra é resultado das exigências da fornecedora Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC), que requer contratos mais longos e pagamentos antecipados para aumentar a capacidade de produção dos chips mais recentes da Nvidia.

“Para deixar claro, a NVDA foi forçada a fazer pedidos de compra não canceláveis muito antes de a demanda ser conhecida”, escreveu Burry. Ele observou que a empresa está demorando mais para transformar estoques em vendas e que essa decisão representa uma estratégia deliberada de manter capacidade na cadeia de suprimentos em um nível sem precedentes.

Segundo ele, as obrigações totais de fornecimento da Nvidia somam US$ 117 bilhões, um valor próximo ao fluxo de caixa operacional registrado no exercício encerrado em 25 de janeiro. “Isso não é o habitual. Isso é risco”, afirmou.

Burry comparou a situação da Nvidia à da Cisco durante a bolha das empresas de internet, quando a companhia aumentou compromissos com fornecedores para sustentar um crescimento anual estimado em 50%. Após uma queda abrupta nos investimentos em tecnologia, a Cisco enfrentou baixas significativas em estoques e compromissos, resultando em uma forte desvalorização de suas ações.

O investidor também mencionou que as margens elevadas da Nvidia refletem o poder de precificação em um ambiente de alta demanda, mas podem encolher se o ritmo do setor desacelerar. Ele acredita que qualquer retração será severa e potencialmente catastrófica para os lucros e o balanço da empresa.

Recentemente, Burry traçou um paralelo entre o atual ciclo de valorização da inteligência artificial e a euforia em torno das ações da Radio Corporation of America (RCA) na década de 1920. Ele destacou que, apesar do crescimento contínuo do rádio, o valor das ações da RCA caiu cerca de 98% entre 1929 e 1932.

Burry retomou sua posição vendida na Nvidia no terceiro trimestre de 2025, com US$ 186,58 milhões em opções de venda (puts). Essa é a última informação pública sobre sua posição, uma vez que ele cancelou o registro de seu hedge fund, Scion Asset Management, junto à SEC, isentando-o de informar seus investimentos publicamente.

Apesar da queda das ações da Nvidia nesta quinta-feira, analistas que acompanham o papel ainda mantêm recomendações de compra ou neutras.

Após o balanço, o UBS reiterou a recomendação de compra para a Nvidia, com preço-alvo de US$ 245, citando dados de exportação de Taiwan como sinais positivos para os resultados futuros.

O UBS também observou que os dados de dezembro da Associação da Indústria de Semicondutores superaram as tendências sazonais e que os números de vendas da TSMC referentes a janeiro devem ser divulgados na sexta-feira.

Por outro lado, o braço de Wealth Management do banco suíço recomenda diversificação no setor de inteligência artificial.

“Ressaltamos a importância de ampliar a exposição à IA para capturar toda a gama de oportunidades que a tecnologia oferece”, afirmou Ulrike Hoffmann-Burchardi, chefe global de ações do UBS Global Wealth Management. “Recomendamos diversificar a exposição à IA entre setores e geografias à medida que o cenário continua a evoluir em meio a um rápido desenvolvimento.”

A Nvidia registrou crescimento de 65% na receita e no lucro líquido em 12 meses, alcançando US$ 216 bilhões e US$ 120 bilhões, respectivamente. A empresa projetou um aumento anual de até 80% na receita do trimestre atual. As ações acumulam uma alta superior a 13 vezes desde o início de 2023, embora estejam cerca de 8% abaixo do recorde alcançado em outubro. Na quinta-feira, os papéis recuavam cerca de 4,5% no início do pregão.

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa).


← Voltar para as notícias