Nunca vi o Congresso tão forte, diz Romero Jucá à CNN
Jucá destaca força do Congresso, mas alerta para problemas
O ex-senador e ex-ministro Romero Jucá (MDB) afirmou, em entrevista ao programa WW da CNN Brasil, que nunca presenciou tamanha força no Congresso Nacional como a atual. No entanto, ele ressaltou que essa força é acompanhada por um grave desafio: a quantidade excessiva de emendas parlamentares e sua aplicação indevida estão prejudicando a credibilidade do Legislativo.
"Eu nunca vi o Congresso tão forte ao longo de todos esses anos", afirmou Jucá. Ele explicou que o fortalecimento do Legislativo foi um processo gradual, iniciado durante o governo de Dilma Rousseff com a primeira emenda impositiva. Naquela época, "a presidente não liberava recursos nem para aliados, nem para adversários". Esse processo evoluiu até o atual cenário, onde o Congresso tem cerca de R$ 60 bilhões em emendas para usar livremente.
Jucá enfatizou que isso gerou um desequilíbrio entre os poderes: "Hoje temos uma situação de necessidade do Executivo e abundância no Legislativo". O ex-senador advertiu que, paradoxalmente, o mesmo dinheiro que fortalece o Congresso está prejudicando sua imagem perante a sociedade. "Esse mesmo dinheiro que dá força ao Congresso está gerando um desgaste enorme e levando à falta de credibilidade. Por quê? Pela má aplicação dessas emendas", explicou.
Indagado se a situação poderia mudar, Jucá foi categórico: "Isso não tem volta. O dinheiro vai ficar lá". Usando uma metáfora, ele disse: "É aquela história: o leão comia ração. Do dia que der o filé para o leão, ele não vai voltar a comer ração".
Para solucionar o problema, o ex-senador defendeu que o próprio Congresso deve se autorregular na aplicação dos recursos. "Não é esperar que o Supremo Tribunal aponte quem é o deputado ou o senador picareta que está desviando dinheiro", afirmou. Jucá sugeriu medidas como maior transparência, acompanhamento das emendas pelas comissões temáticas do Congresso e punições rigorosas para parlamentares que cometerem irregularidades.
"Na terceira, na quarta de gola de cabeça, todo mundo ia voltar a ter juízo na aplicação de recursos públicos", argumentou Jucá, sugerindo que exemplos de punições severas seriam eficazes para evitar desvios. Ele também mencionou que o Tribunal de Contas da União, como órgão de apoio ao Congresso, poderia ser utilizado para monitorar a aplicação das emendas.
Para encerrar sua análise, Jucá defendeu que, no futuro, o Brasil deve considerar um modelo de semiparlamentarismo, pois acredita que o atual arranjo político entre Executivo e Legislativo já não consegue atender às necessidades de ajustes. "Vamos precisar fazer reforma política já já e discutir uma série de coisas a partir de 2027", concluiu.
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