Comando Vermelho

Núcleo político do CV: líder fingia ser evangélico e escondia drogas em igreja

Identificado como o líder do núcleo político que apoia o Comando Vermelho (CV) no Amazonas, Allan Kleber Bezerra disfarçava-se de evangélico para enganar as autoridades e ocultava entorpecentes em igrejas. A informação foi revelada pela Polícia Civil do Estado do Amazonas (PCAM) durante uma coletiva após a operação denominada "Erga Omnes", realizada na última sexta-feira, 20 de fevereiro.

As investigações demonstraram que Allan utilizava vestimentas típicas do meio evangélico e frequentava uma igreja localizada no bairro Zumbi dos Palmares, na zona Leste de Manaus, como parte de sua estratégia para encobrir suas atividades ilícitas. Após não ser encontrado na operação, ele é considerado foragido.

O delegado Marcelo Martins, responsável pela operação, destacou: “Ele usava as roupas da igreja evangélica. Em uma ocorrência anterior, ele escondeu drogas dentro dessa igreja e temos outro alvo que também residia em uma igreja evangélica.”

A apuração que resultou na operação revelou que a facção contava com a colaboração de servidores públicos de diversas instituições, incluindo o Tribunal de Justiça do Amazonas, a Assembleia Legislativa do Amazonas e a Polícia Militar do Amazonas. Estima-se que a organização tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018.

Na sexta-feira (20), a polícia cumpriu 14 mandados de prisão, sendo oito deles no estado do Amazonas. Entre os detidos estão:

Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete da Assembleia Legislativa;

Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil;

Alcir Queiroga Teixeira Júnior;

Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;

Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar;

Osimar Vieira Nascimento, policial militar.

As informações financeiras das empresas envolvidas não correspondem à capacidade econômica que foi declarada.

A operação da polícia mira o núcleo político do Comando Vermelho, que, segundo a Polícia Civil, era responsável por facilitar acessos, intermediar interesses, proteger membros do grupo e, em alguns casos, tentar obter informações sobre investigações em curso.

As investigações começaram após a apreensão de aproximadamente 500 tabletes de skunk, sete fuzis, embarcações e veículos utilizados no transporte de drogas. A partir desse episódio, os investigadores reconstruíram a hierarquia da facção.

O esquema operava com uma divisão de tarefas clara: havia operadores logísticos encarregados do transporte, financiadores que custeavam as cargas e colaboradores dentro do setor público. Empresas de fachada, especialmente nos setores de transporte, locação e logística, eram utilizadas para conferir uma aparência legal às atividades. De acordo com a polícia, os dados financeiros dessas empresas não correspondem à sua capacidade econômica declarada.

A Polícia Civil afirma que a identificação do núcleo político da facção revela um nível elevado de sofisticação, demonstrando que o grupo não se restringia à violência armada, mas buscava proteção institucional para sustentar suas operações.

Os detidos enfrentarão acusações de organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.


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