Novos fósseis na China podem reescrever história humana
Pesquisadores dataram dois crânios descobertos em Yunxian, no norte da China, para aproximadamente 1,77 milhão de anos. Esses fósseis representam os restos de hominíneos mais antigos já encontrados no Leste Asiático. O paleoantropólogo Hua Tu, da Universidade de Shantou, liderou a pesquisa, que analisou a proporção entre alumínio-26 e berílio-10 em grãos de quartzo da camada de sedimento contendo os crânios.
Os resultados indicam que esses hominíneos viveram às margens do rio Han, apenas 130 mil anos após o surgimento do Homo erectus na África. Essa descoberta é um marco na compreensão da dispersão dos primeiros hominíneos pelo continente asiático.
Os fósseis foram confirmados como pertencentes ao Homo erectus, ancestral comum extinto da humanidade moderna, dos neandertais e dos denisovanos. O sítio arqueológico de Yunxian está localizado na região central da China, onde foram encontrados centenas de ferramentas de pedra e ossos de animais. Três crânios quase completos foram descobertos, mas apenas dois foram descritos em publicações científicas.
A nova datação permitiu uma compreensão mais precisa da cronologia da dispersão do Homo erectus pela Ásia. O rio Han deposita camadas de silte e cascalho há pelo menos 2 milhões de anos.
A idade revisada dos crânios sugere que a espécie se espalhou pelo continente asiático mais rapidamente do que se acreditava anteriormente. Os ossos de hominíneos mais antigos fora da África incluem cinco crânios e centenas de outros ossos da Caverna de Dmanisi, na Geórgia, que datam entre 1,85 milhão e 1,77 milhão de anos e provavelmente também pertencem ao Homo erectus.
Essas descobertas indicam que o Homo erectus pode ter se espalhado para o leste da Ásia em um período muito mais curto do que os 140 mil anos sugeridos anteriormente. Além disso, a nova datação elimina a possibilidade de que os crânios de Yunxian sejam ancestrais próximos dos denisovanos, como sugerido em um estudo de setembro de 2025.
Recentemente, um estudo digitalmente reconstruiu um dos crânios, revelando semelhanças com um crânio de 146 mil anos encontrado em Harbin, na China, que foi identificado como pertencente a um denisovano, também conhecido como Homo longi. Os pesquisadores anteriores argumentaram que os crânios de Yunxian teriam vivido pouco tempo após a separação dos denisovanos do ramo da espécie humana moderna.
A nova datação fornece um referencial para compreender sítios ainda mais antigos na China. Arqueólogos descobriram ferramentas de pedra em uma camada de sedimento de 2,1 milhões de anos no sítio de Shangchen. No sítio de Xihoudu, ferramentas de pedra datam de 2,43 milhões de anos.
A identidade dos fabricantes dessas ferramentas ainda é incerta, e arqueólogos não encontraram fósseis de hominíneos nesses locais. Se não foram Homo erectus, os suspeitos mais prováveis seriam membros mais antigos do gênero Homo, como Homo habilis ou Homo rudolfensis.
A descoberta abre espaço para novas pesquisas e investigações sobre a presença de hominíneos na China. O paleoantropólogo Christopher Bae sugere que pode haver uma onda anterior de hominíneos que já havia se miscigenado. A datação dos fósseis de Yunxian pode ajudar a reconfigurar o modelo de dispersão do Homo erectus.
Darryl Granger, paleoantropólogo da Universidade Purdue e coautor do estudo, destacou que as respostas podem estar enterradas em camadas de sedimento mais antigas. Arqueólogos podem não ter explorado essas camadas, acreditando que ninguém habitou a China antes de 1,7 milhão de anos.
Além disso, já foram encontrados ossos de animais fósseis com idades semelhantes às ferramentas de pedra mais antigas da China em outros sítios. No entanto, esses ossos não foram revisados para verificar se pertenciam a hominíneos primitivos.
O debate sobre a classificação dos fósseis de Dmanisi continua. Alguns paleoantropólogos acreditam que esses fósseis constituem sua própria espécie, enquanto outros argumentam que estão mais próximos de membros iniciais do gênero Homo.
As duas reconstruções dos crânios de Yunxian concordam que esses hominíneos tinham características faciais mais semelhantes às da espécie humana moderna. A idade dos crânios, juntamente com as ferramentas de pedra mais antigas, pode justificar escavações mais profundas em sítios arqueológicos na China e levar a uma reavaliação das capacidades de membros mais antigos do gênero Homo.
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