Novo organograma feito pela Polícia Civil revela estrutura empresarial do PCC, com setores de 'compliance' e rede social
Estrutura empresarial do PCC é revelada em novo organograma da Polícia Civil
Um recente organograma elaborado pela Polícia Civil de São Paulo apresenta uma nova configuração da facção criminosa PCC, destacando a criação de quatro setores inéditos. O documento, que reorganiza a cúpula da organização, lista 100 nomes e introduz a segmentação por "sintonias".
A facção se transformou em um modelo de operação que combina práticas empresariais e mafiosas, com finanças que saltaram de centenas de milhares para dezenas de bilhões de reais, sustentando um estilo de vida luxuoso.
Novos setores identificados
O novo organograma revela a existência de um núcleo de associados, um setor semelhante a compliance, um responsável por redes sociais e outro dedicado a jurados de morte. Estas áreas operam de maneira segmentada, refletindo a complexidade da estrutura do PCC.
Entre os 100 nomes citados, 89 têm poder de voto e seis são associados a atividades como lavagem de dinheiro. Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, permanece como líder da facção.
Detalhes dos novos setores
1) Associados: Sem o batismo formal, esses indivíduos gerenciam negócios, especialmente nas áreas de finanças e lavagem de dinheiro. Nomes como Mohamad Hussein Mourad, foragido por corrupção, e Mauricio Hernandez Norambuena, preso no Chile, estão incluídos.
2) Setor do Raio-X: Funciona como um núcleo de compliance, responsável pela auditoria e monitoramento de condutas e ordens, sob a liderança de Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.
3) Sintonia da Internet e Redes Sociais: Este setor gerencia as comunicações digitais, assegurando segurança nas interações entre membros. É coordenado por André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino.
4) Decretados: Composto por ex-líderes expulsos e ameaçados de morte. O relatório menciona Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, e Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho.
Expansão e infiltração
De acordo com informações reveladas, o PCC já se infiltrou em 28 países, ampliando suas operações e sua logística de drogas. O Ministério Público de São Paulo também possui um organograma que indica a existência de cerca de 40 mil membros na facção, considerada uma máfia.
A atuação do PCC se estende para além das fronteiras brasileiras, infiltrando-se na economia formal e utilizando práticas de lavagem de dinheiro em diferentes setores.
Conclusão
O novo organograma da Polícia Civil evidencia a evolução do PCC para uma estrutura administrativa sofisticada, com divisões funcionais, auditorias internas e um sistema de comunicação padronizado. Essa reestruturação, iniciada em 2019, reflete mudanças significativas na dinâmica da facção e sua adaptação a um modelo empresarial.
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