Novo organograma do PCC revela estrutura com compliance e gestão de redes sociais
A Polícia Civil de São Paulo divulgou um novo organograma do PCC (Primeiro Comando da Capital), que reestrutura a hierarquia da facção criminosa e apresenta quatro setores inéditos. Entre esses setores, destacam-se um núcleo de associados, um comparado a compliance, um encarregado da gestão de redes sociais e outro voltado para jurados de morte.
De acordo com informações do SBT, o documento revela a existência de 100 membros distribuídos em 16 setores. Dentre eles, 89 são considerados "batizados" e possuem poder de voto, enquanto seis associados estão envolvidos em atividades como lavagem de dinheiro. Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, permanece no topo da cadeia decisória, mesmo preso.
O novo organograma acrescenta quatro frentes à estrutura do PCC, que funciona como uma organização criminosa com características empresariais:
Associados: membros da facção que não são “batizados”, mas atuam em negócios relacionados ao PCC, especialmente nas áreas de finanças e lavagem de dinheiro.
Setor do Raio-X: funciona como um núcleo de compliance, responsável pela auditoria e monitoramento da conduta dos integrantes, bem como das movimentações financeiras e cumprimento de ordens.
Sintonia da Internet e Redes Sociais: encarrega-se da comunicação digital, padronizando a linguagem ideológica e monitorando publicações. O objetivo é garantir segurança e discrição nas interações entre os membros.
Decretados: ex-líderes do PCC que foram expulsos e atualmente estão sob ameaça de morte pela própria facção.
O Ministério Público de São Paulo também possui um organograma da facção, estimando ao menos 40 mil membros. Para o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o PCC já é classificado como uma máfia, conforme reportado pela GloboNews.
Tanto a polícia quanto o MP-SP monitoram a atuação da facção em 28 países, além do Brasil, onde a organização tem expandido suas operações logísticas de drogas e se infiltrado na economia formal, especialmente em setores como postos de combustíveis e fundos de investimento.
A Polícia Civil ainda destaca que o PCC opera com 16 setores, sendo 12 deles mais ativos, denominados “sintonias”:
1) Sintonia Final – Comando geral do PCC, responsável por decisões estratégicas e coordenação de ações.
2) Sintonia Final do Sistema – Executa as decisões da liderança dentro dos presídios, garantindo disciplina e cumprimento de ordens.
3) Sintonia Restrita – Núcleo confidencial, lida com assuntos sensíveis e estratégicos.
4) Sintonia Final dos Estados e Países – Coordena a atuação do PCC em outros estados e no exterior.
5) Sintonia do Progresso – Focada em crescimento, cuida das operações, logística e finanças.
6) Sintonia Final de Rua – Controla operações em áreas dominadas pela facção.
7) Sintonia Interna – Comando operacional nos presídios e territórios controlados.
8) Setor da Padaria – Área financeira que organiza a arrecadação de recursos.
9) Sintonia Final da Baixada – Coordena operações na Baixada Santista.
10) FM-BX (Família da Baixada) – Linha de frente do varejo de drogas na região.
11) Sintonia dos Gravatas – Utiliza advogados para defesa e comunicação entre presos e membros livres.
12) Sintonia ou Quadro dos 14 – Instância de elite que decide questões estratégicas e disciplinares.
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