"Novo dono" do Grupo Safras quer desistir de RJ de R$ 1,7 bi e renegociar com credores
Novo controlador do Grupo Safras busca encerrar recuperação judicial
Poucos dias após assumir o controle do debilitado Grupo Safras, a empresa paulista AM Agro já demonstra uma nova abordagem para tentar salvar o conglomerado mato-grossense.
A AM Agro, em parceria com a Yards Capital, através do fundo AGRI, que detém 60% do controle do Safras, protocolou um pedido na 4ª Vara Cível de Sinop (MT) para encerrar o processo de recuperação judicial da companhia.
O novo controlador sustenta que a recuperação judicial atrapalha seus planos de reestruturação, que incluem negociações diretas com credores e a busca por novos investimentos fora da esfera judicial.
A mudança na gestão começou em 7 de julho deste ano, quando os sócios fundadores do Safras, Dilceu Rossato e Pedro de Moraes Filho, junto a seus familiares e executivos, receberam uma notificação dos gestores dos fundos Axioma e Alcateia. Essa notificação informava sobre a cessão dos direitos ao fundo AGRI Brazil Special Situations Fund para a compra de 60% do Safras, conforme um contrato assinado em agosto de 2024.
O novo controlador juntou o documento ao processo em 11 de julho. Na petição, o advogado Claudio Augusto dos Santos Junior, representante do fundo, declara a intenção de desistir da recuperação judicial. Ele afirma que “o cotista que representa a maioria com 60% das cotas do Grupo Safras reconhece ser de rigor a desistência da presente recuperação judicial”.
De acordo com ele, a recuperação judicial impede novos investimentos e dificulta as negociações com credores. O advogado destaca que a continuidade do processo obstrui os planos do fundo para o Grupo Safras.
Na petição, o representante do fundo também critica os fundadores, que questionaram a operação que retirou o controle das mãos de Rossato e Moraes. O novo controlador argumenta que a anuência foi dada quando o contrato de opção foi assinado com os fundos Axioma e Alcateia.
O AGR I ainda acusa os advogados dos antigos proprietários de prejudicarem os credores e complicarem o processo de reestruturação. “Litiga de má-fé os ex-patronos e atuais sócios minoritários da companhia, pois toda essa discussão prejudica ainda mais os interesses do Grupo Safras, bem como todos os credores, principalmente os de natureza trabalhista e os produtores rurais”, diz o documento.
O novo dono também solicitou à juíza Giovana Pasqual de Mello que reconheça a incompetência para analisar o contrato de opção de compra, afirmando que o foro escolhido pelas partes foi o de São Paulo.
Para o fundo, a questão é privada e não se relaciona com os bens protegidos pela recuperação judicial.
O AGR I destaca que tem planos para revitalizar o Safras. “O ingresso do Fundo na gestão do Grupo Safras beneficia os credores. Vamos negociar o passivo e buscar recursos no mercado para mudar os rumos do grupo”, afirma a petição.
Agora, a juíza deve decidir se aceita a desistência. Embora esse tipo de solicitação precise ser aprovado pelos credores em assembleia, o AGR I argumenta que, devido à suspensão do processo pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, não há impedimentos para encerrar a recuperação imediatamente.
O fundo AGR I foi constituído recentemente pela AM Agro, que visa levantar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão para reestruturar as dívidas e colocar o Safras em operação sob nova gestão.
Em entrevista ao AgFeed, Marco Teixeira, CEO da Superbac e um dos sócios da AM Agro, afirmou que toda a gestão será conduzida diretamente pelo fundo e que a equipe já está em Mato Grosso para iniciar as negociações.
O Safras havia solicitado recuperação judicial em abril, e em maio, a juíza aprovou o pedido, que envolvia dívidas de R$ 1,78 bilhão.
Entretanto, no início de junho, decisões do Tribunal de Justiça de Mato Grosso paralisaram o plano de recuperação judicial do conglomerado.
Nos últimos dias de maio, a Justiça suspendeu a recuperação, devolveu uma fábrica de processamento para a Carbon Participações e negou um recurso do Grupo Safras. A desembargadora Marilsen Andrade Addario apontou “falta de transparência documental e irregularidades financeiras” como razões para a suspensão.
Com isso, a esmagadora de soja de Cuiabá, a única fonte de recursos do Grupo Safras, retornou ao controle da Carbon Participações. O Safras recorreu ao STJ, mas enfrentou nova derrota, mantendo a recuperação suspensa.
O fundo criado pela AM Agro e gerido pela Yards Capital possui 60% do grupo e solicita à Justiça o encerramento da recuperação judicial, argumentando que o processo impede novos investimentos e prometendo levantar até R$ 1 bilhão para reestruturar o conglomerado fora da esfera judicial.
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