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'No meio do fogo cruzado': o relato de brasileira em Dubai durante os ataques do Irã

Relato de brasileira em Dubai durante os ataques ao Irã

Pedro Martins, da BBC News Brasil em Londres

2 de março de 2026, 18:26 -03 - Atualizado há 1 hora

A diretora de marketing Yasmin Castro tem enfrentado noites mal dormidas desde que chegou a Dubai a trabalho com um grupo de brasileiros. Ela foi surpreendida pelo ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado (28/2).

Mesmo não estando em nenhum dos três países diretamente envolvidos no conflito, Yasmin relata que frequentemente escuta barulhos que se assemelham a explosões e recebe mensagens do governo dos Emirados Árabes Unidos alertando sobre os ataques na região.

"É um som muito diferente. É alto, mas abafado, e ocorre em série: uma, duas, três vezes seguidas. É difícil explicar, pois nunca ouvimos isso antes", explica à BBC News Brasil por videoconferência.

Acompanhada do marido, Yasmin se sente "no meio do fogo cruzado". Dubai, um símbolo de luxo e lar de influenciadores e celebridades, tem sido alvo do Irã por abrigar militares americanos. O porto de Jebel Ali, por exemplo, recebe navios da Marinha dos EUA. Embora Dubai não tenha registrado mortes, já há quatro feridos, todos funcionários do aeroporto da cidade, que foi danificado e está fechado nesta segunda-feira (2/3).

No início do conflito, Yasmin estava em Abu Dhabi, um emirado alvo de ataques mais intensos. O aeroporto da cidade, um dos mais movimentados do mundo, também sofreu bombardeios, resultando na morte de uma pessoa atingida por destroços de um drone.

Ela descobriu sobre a guerra não pela televisão ou redes sociais, mas pelo barulho que ouviu ao chegar a um restaurante para almoçar após uma corrida de kart.

Os Emirados Árabes Unidos foram atingidos por 67 mísseis e 541 drones iranianos até o domingo (1º/3), com três mortes reportadas, segundo o Ministério da Defesa local.

Yasmin afirma que todos os eventos e reuniões que tinha agendados em Dubai foram cancelados, assim como seus planos turísticos. Ela observa que os brasileiros demonstram mais medo do que turistas de outras nacionalidades. "Só os brasileiros desceram para o subsolo. Mesmo com outros turistas ao redor, apenas um pequeno grupo decidiu se refugiar", conta.

Apesar do receio, ela acredita que muitos não compartilham do mesmo temor por confiarem no sistema de defesa antiaérea, que pode interceptar mísseis e drones a uma distância considerável.

"Ao início, estávamos apreensivos, mas os funcionários do hotel nos tranquilizaram. Eles confiam no sistema de defesa, o que nos deixou um pouco mais calmos", diz.

A presença de brasileiros na região é significativa. Em 2023, 183 mil turistas do Brasil visitaram os Emirados Árabes Unidos, um aumento de 46,4% em relação ao ano anterior. Contudo, todos os voos diretos estão inoperantes neste momento.

Até a tarde desta segunda-feira, não havia previsão para a reabertura do aeroporto de Dubai. Yasmin deveria retornar a São Paulo no próximo sábado (7/3), mas a incerteza sobre a viagem persiste. "A maior preocupação agora não são os ataques, mas sim ficarmos presos aqui. Acreditamos que o aeroporto pode não abrir a tempo", afirma.

Ao ser questionada sobre um possível retorno à região, Yasmin se mostra indecisa. "Meu marido sugeriu que voltássemos para conhecer melhor, mas eu não quero voltar tão cedo. Sei que provavelmente iremos, mas é uma sensação estranha. Estar no fogo cruzado me deixa ansiosa."


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