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'Nº 2 da Previdência' é preso: o que se sabe sobre nova operação da PF contra fraudes no INSS

Prisão de 'Nº 2 da Previdência' marca nova fase da operação da PF contra fraudes no INSS

Uma nova etapa da operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), foi desencadeada com a detenção do ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal, que ocupava a segunda posição na pasta.

A investigação se concentra em um esquema de cobranças não autorizadas que afetou benefícios do INSS, causando prejuízos bilionários a aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

O caso já resultou no afastamento e prisão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

Portal foi preso na manhã de quinta-feira (18) e, conforme decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, cumprirá prisão domiciliar. Após a detenção, o Ministério da Previdência comunicou sua exoneração.

Neste contexto, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, também foi alvo de mandados de busca e apreensão, autorizados pelo STF.

Além de Portal, a Polícia Federal prendeu Romeu Antunes, filho do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que está preso desde setembro e é considerado um dos principais operadores do esquema. Outra detenção foi a de Eric Fidelis, filho de André Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS.

As investigações, baseadas em quebras de sigilo, indicam que Eric recebeu recursos de empresas ligadas ao lobista investigado.

Adroaldo Portal e sua trajetória no Ministério da Previdência

Adroaldo da Cunha Portal fazia parte do Ministério da Previdência desde o início do governo Lula, durante a gestão do ex-ministro Carlos Lupi (PDT), e foi mantido pelo atual titular, Wolney Queiroz.

Em maio deste ano, Portal foi nomeado secretário-executivo, assumindo a posição de número dois do ministério em um momento em que as fraudes no INSS já eram de conhecimento público. Antes disso, ocupou o cargo de secretário do Regime Geral de Previdência Social entre fevereiro de 2023 e maio de 2025.

O ex-secretário é mencionado nas investigações por sua proximidade com o senador Weverton Rocha e por receber o lobista Careca do INSS em seu gabinete, conforme apurações da Polícia Federal.

Atualmente, a Polícia Federal cumpre 16 mandados de prisão preventiva e 52 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares, em estados como São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais, Maranhão e no Distrito Federal.

A PF esclareceu que esta fase da operação busca aprofundar as investigações sobre crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.

Funcionamento do esquema de fraudes

A operação Sem Desconto investiga um sistema de descontos aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, atribuídos a associações e entidades conveniadas. Muitos desses descontos eram realizados sem autorização ou conhecimento dos beneficiários.

Os valores eram debitados mensalmente sob a alegação de filiação associativa ou oferta de serviços, mas, em muitos casos, não havia consentimento formal nem contrapartida real para os segurados.

Desde abril, as investigações apontam que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões em cobranças irregulares ao longo de cinco anos. Naquele mês, o então presidente do INSS foi afastado e preso em novembro, no desdobramento do mesmo inquérito.


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