cnnbrasil

Nasa enfrenta “problema surpresa” e tenta evitar vexame com Artemis II

Nasa enfrenta novos desafios com a missão Artemis II

Os planos para a histórica missão lunar da Nasa enfrentaram mais um obstáculo, com os engenheiros lidando com um problema inesperado no foguete que levará quatro astronautas a uma trajetória inovadora.

No sábado (21), a agência revelou a descoberta de um problema no fluxo de hélio, um gás essencial para pressurizar os tanques de combustível e limpar as linhas de propelente do foguete SLS (Sistema de Lançamento Espacial). Como consequência, o foguete precisará ser retirado da plataforma de lançamento e enviado ao Edifício de Montagem de Veículos (VAB) para reparos, o que praticamente elimina a possibilidade de um lançamento em março.

Essa alteração de planos ocorreu após uma sexta-feira em que a Nasa demonstrou otimismo sobre um lançamento em 6 de março, logo após um teste de abastecimento que foi considerado um sucesso. Na ocasião, os líderes da agência afirmaram que os vazamentos de hidrogênio identificados em ensaios anteriores haviam sido solucionados.

A nova previsão é que a missão, denominada Artemis II, não aconteça antes de abril.

A Nasa mencionou em um comunicado que a agilidade nas operações de retorno do foguete e da espaçonave ao VAB pode preservar a janela de lançamento em abril, dependendo da análise dos dados e dos esforços de reparo.

Datas como 1, 3, 4, 5, 6 e 30 de abril foram inicialmente consideradas para o lançamento, mas funcionários da agência também estão avaliando possíveis datas em maio e junho.

Quando finalmente decolar, a missão levará os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o astronauta da Agência Espacial Canadense, Jeremy Hansen, em uma jornada de 10 dias ao redor da Lua, marcando a primeira viagem humana ao espaço profundo desde o fim do programa Apollo em 1972.

Desafios em meio a avanços

Apesar do progresso em algumas áreas, a viabilidade de um lançamento em abril é incerta. Questões como a identificação de problemas ocultos e a duração necessária para resolver a falha no hélio permanecem em aberto. Além disso, a movimentação do foguete pode afetar os problemas anteriores com o hidrogênio.

Na sexta-feira, a Nasa parecia ter solucionado os vazamentos de hidrogênio, um desafio que assombra o programa Artemis desde os testes para o voo de teste não tripulado de 2022, Artemis I. A natureza leve do hidrogênio torna difícil contê-lo, e a agência trabalhou para substituir vedações em torno das linhas de propelente.

No entanto, a umidade inesperada nas vedações ainda é um mistério. A diretora de lançamento do programa, Charlie Blackwell-Thompson, comentou que não foi possível identificar uma causa específica para os vazamentos.

A situação com o hélio complicou os planos. O gás, crucial para a pressurização e limpeza, não estava fluindo corretamente, levando a equipe a buscar soluções alternativas para garantir a segurança do foguete.

Rumo ao VAB

O administrador da Nasa, Jared Isaacman, mencionou que possíveis causas para o problema com o hélio incluem um filtro defeituoso ou uma válvula com mau funcionamento. O acesso e a resolução de qualquer um desses problemas só poderão ser realizados no VAB.

Esse transporte do foguete de volta ao VAB levanta preocupações sobre como o hardware se comportará ao longo dos 13 quilômetros de percurso, que pode demorar horas. Esse deslocamento pode ter causado alguns vazamentos de hidrogênio anteriormente.

O processo de movimentação é complexo e exige cuidado. Mesmo após a resolução do problema do hélio, a Nasa pode precisar realizar mais um ensaio geral com fluidos.

Um porta-voz da Nasa informou que os controladores de lançamento analisarão quais testes adicionais serão necessários após o retorno do foguete à plataforma.

Se surgirem novos problemas durante essas etapas, as janelas de lançamento em abril podem ser descartadas, resultando em atrasos significativos. É importante lembrar que, durante os preparativos para a missão Artemis I em 2022, o foguete foi retirado da plataforma de lançamento três vezes antes de finalmente decolar, cerca de oito meses após a data inicial prevista.


← Voltar para as notícias