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NASA detecta “assobio” de raio em Marte pela primeira vez

NASA registra pela primeira vez "assobio" de raio em Marte

O som de um raio atravessando a atmosfera marciana foi "ouvido" pela primeira vez. Segundo o Science Alert, a sonda MAVEN, da NASA, capturou um sinal eletromagnético incomum, conhecido como assobio, indicando que descargas elétricas podem realmente riscar o céu do Planeta Vermelho.

Embora a presença de raios já tenha sido confirmada em planetas como Júpiter, Saturno e Netuno, sua existência em Marte era um enigma científico até agora. Uma pesquisa liderada pelo físico atmosférico František Němec, da Universidade Charles, na República Tcheca, detalhou a descoberta desse sinal raro, registrado originalmente em 21 de junho de 2015.

O que é um “assobio” espacial?

Quando um raio ocorre, ele emite um pulso de radiação eletromagnética em diversas frequências. Ao atravessar a ionosfera, uma camada de plasma na atmosfera superior, essas ondas sofrem dispersão, com as frequências mais altas viajando mais rápido que as mais baixas.

Conforme explica o artigo publicado no periódico Science Advances, esse fenômeno gera um formato espectral característico que, quando convertido em áudio, soa como um assobio descendente.

Uma descoberta entre 100 mil registros

Encontrar esse sinal não foi uma tarefa simples. A equipe de pesquisadores analisou 108.418 gravações de ondas de plasma feitas pela MAVEN. Dentre essas amostras, apenas uma apresentou o "assobio" ideal.

O evento ocorreu sob condições muito específicas:

Localização: a sonda estava a uma altitude de 349 km.

Horário: foi registrado no lado noturno de Marte, onde a ionosfera é mais fraca, permitindo a passagem das ondas.

Magnetismo: o sinal foi detectado sobre regiões do hemisfério sul que possuem campos magnéticos incrustados na crosta.

O estudo aponta que o sinal durou cerca de 0,4 segundos e foi dez vezes mais intenso que o ruído de fundo da área.

Tão forte quanto um raio na Terra

Embora o sinal detectado pareça fraco, os cientistas realizaram cálculos para entender a potência da descarga original. De acordo com a pesquisa, ao considerar a perda de energia durante a trajetória da superfície até o espaço, a descarga elétrica em Marte pode ser comparável a um raio forte na Terra.

Diferente da Terra, onde raios estão associados a tempestades de água, em Marte eles provavelmente são gerados pelo atrito de grãos de areia durante tempestades de poeira ou redemoinhos gigantes. O campo elétrico gerado nessas condições pode ultrapassar o limite de ruptura da atmosfera, resultando na descarga.

O que isso significa para a busca por vida?

A detecção de raios em Marte vai além da mera curiosidade meteorológica. O Science Alert destaca que experimentos em laboratório sugerem que descargas elétricas podem contribuir para a formação de moléculas orgânicas essenciais. Na Terra primitiva, processos semelhantes podem ter sido fundamentais para o surgimento da química pré-biótica.

Saber que essas descargas ocorrem em Marte fornece aos astrobiólogos mais um fator para avaliar se o Planeta Vermelho já teve ou ainda possui condições adequadas para o desenvolvimento da vida.


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