Na véspera do PIB, mercado, Banco Central e governo projetam desaceleração
Projeções apontam desaceleração do PIB em 2025
A divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) de 2025 ocorrerá nesta terça-feira, dia 3, mas já é possível perceber pelas estimativas da equipe econômica, do Banco Central e do mercado que há uma tendência de desaceleração em relação a 2024, quando a economia cresceu 3,4%.
Os juros, que permanecem em dois dígitos desde o início de 2022, são apontados como um dos principais fatores para essa perda de impulso.
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) do Banco Central, que é considerado uma "prévia" do PIB, mostrou uma expansão de 2,5% em 2025 em comparação ao ano anterior. Esse dado foi divulgado em 19 de fevereiro.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) também projeta um crescimento de 2,5%. Por outro lado, economistas consultados pelo Banco Central no Boletim Focus estimam que a economia brasileira avançou 2,26%.
O Ministério da Fazenda prevê um crescimento de 2,3% para o PIB em 2025, destacando que a desaceleração em relação a 2024 é em grande parte reflexo da manutenção de uma política monetária restritiva.
Em termos setoriais, a expectativa do Ministério da Fazenda é de um crescimento mais acentuado na agropecuária e na indústria, enquanto os serviços devem ver uma redução no ritmo de crescimento. As projeções para 2025 incluem essa análise setorial.
O Banco Central também compartilha a expectativa de crescimento de 2,3% em seu Relatório de Política Monetária, apresentando suas previsões por setor.
As expectativas em relação à desaceleração da economia brasileira são influenciadas pelo alto nível dos juros, que estão em seu maior patamar em quase duas décadas.
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central mantém a Selic em 15% desde junho do ano passado, finalizando um ciclo de alta que começou em setembro de 2024, quando a taxa básica estava em 10,5%.
A pressão sobre a economia deve diminuir a partir de março, após o colegiado sinalizar o início de um novo processo de flexibilização durante a reunião de janeiro, a primeira de 2026.
Apesar das previsões de queda, o mercado ainda projeta que os juros devem encerrar o ano em 12,13%, conforme dados do Boletim Focus. No momento, a expectativa é que a Selic retorne ao dígito único apenas em 2029.
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