Crime organizado

Musa da Gaviões da Fiel é acusada de lavagem de dinheiro; entenda o que levou à denúncia do MP

Acusações de Lavagem de Dinheiro Envolvem Musa da Gaviões da Fiel

A influenciadora e bailarina Natacha Horana Silva, conhecida como musa da Gaviões da Fiel, enfrenta acusações de lavagem de dinheiro relacionadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Os promotores alegam que existem indícios financeiros, patrimoniais e documentais que sugerem a ocultação de bens e movimentação de recursos ilícitos.

Principais Pontos da Denúncia

Relacionamento com Líder do PCC

O Ministério Público revela que Natacha manteve um relacionamento com Valdeci Alves dos Santos, conhecido como Colorido, apontado como chefe do PCC. Segundo a promotoria, ela teria feito parte do grupo responsável por movimentar e ocultar valores atribuídos a Colorido.

Aquisição de Bens em Dinheiro Vivo

Um dos focos da denúncia é a compra de um imóvel e de um veículo Mercedes-Benz avaliado em R$ 320 mil. Os valores teriam origem em atividades criminosas. A acusação afirma que a transação foi realizada em dinheiro vivo, dificultando o rastreamento da origem dos recursos, e que Natacha ocultou a propriedade dos bens.

O automóvel foi apreendido em 14 de novembro de 2024 durante a operação Argento, realizada pela Polícia Civil de São Paulo.

Pedido de Restituição Contestável

Após a apreensão do carro, a empresa LNS Construtora, Incorporadora e Locação Ltda. solicitou a devolução do veículo, alegando ser a verdadeira proprietária. No entanto, o MP considera a versão inconsistente, já que a documentação apresentada não comprova a propriedade do automóvel.

Movimentações Financeiras Suspeitas

Entre 2014 e 2024, Natacha movimentou aproximadamente R$ 15,02 milhões, conforme informações compartilhadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte. As movimentações financeiras apresentaram um aumento significativo entre 2021 e 2023, período em que Colorido estava foragido, mas ainda dirigia atividades do PCC. Os valores movimentados são considerados incompatíveis com os rendimentos da bailarina.

Repasses de Grupo Criminoso

Além do carro, o MP aponta que Natacha e sua mãe receberam mais de R$ 246 mil de integrantes do chamado Grupo Pará, envolvido na ocultação de dinheiro ligado a Valdeci.

Conexão com a Operação Argento

A nova denúncia está relacionada à operação Argento, que investigou as ligações entre a influenciadora e Colorido. Em 14 de novembro de 2024, a Justiça decretou a prisão preventiva de Natacha, que ficou detida por quatro meses no presídio feminino de Franco da Rocha.

Ela já responde a processos na Justiça do Rio Grande do Norte por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em entrevista, Natacha se declarou inocente, afirmando que seu relacionamento com Valdeci não a torna cúmplice de qualquer crime.

Defesa e Reações

O advogado Daniel Bialski afirmou que a defesa ficou surpresa com a denúncia e que não teve acesso aos autos. Ele argumenta que a acusação repete fatos já apurados, caracterizando violação à proibição de dupla imputação. A defesa sustenta que Natacha não cometeu nenhum ato ilícito.


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