Mulher de tenente-coronel é encontrada morta em casa em SP
Alerta: a reportagem abaixo aborda temas como suicídio e transtornos mentais. Caso você esteja enfrentando dificuldades, consulte as informações ao final do texto para buscar ajuda.
A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada sem vida na manhã de quarta-feira, 18, em seu apartamento localizado no bairro do Brás, no centro de São Paulo. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio no 8º DP (Brás), mas a investigação foi ampliada para apurar a natureza suspeita da morte. A Polícia Civil está à frente do caso.
Gisele era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, e era mãe de uma menina de 7 anos de um relacionamento anterior. Em depoimento, a mãe de Gisele relatou que o casamento era conturbado, descrevendo Geraldo como abusivo e violento. Ele impunha restrições à esposa, como a proibição de usar batom, salto alto e perfume, além de exigir rigor no cumprimento das tarefas domésticas. O Estadão não conseguiu contatar a defesa de Geraldo, que permanece em aberto.
A mãe de Gisele ainda mencionou que, ao manifestar vontade de se separar, a soldado recebeu uma foto do marido com uma arma apontada para a própria cabeça, enviada por mensagem.
No boletim de ocorrência, o tenente-coronel informou que os dois se conheceram em 2021 e casaram em 2024. Os problemas no relacionamento, segundo Geraldo, começaram em 2025, atribuídos a uma mudança de batalhão.
Ele alegou ter sido alvo de denúncias anônimas na Corregedoria da PM, motivadas por vingança de colegas, que espalharam rumores falsos sobre um suposto relacionamento extraconjugal. Quando os boatos chegaram até Gisele, ela teria enfrentado uma crise de ciúmes, resultando em brigas frequentes e noites em quartos separados.
Geraldo relatou que, na quarta-feira, por volta das 7h, foi até o quarto da esposa para sugerir a separação. De acordo com seu depoimento, Gisele reagiu de forma exaltada, mandando-o embora e batendo a porta. Após isso, ele se retirou para tomar banho e ouviu um barulho que pensou ser uma porta se fechando. Ao sair do banheiro, encontrou Gisele caída no chão.
Caso você ou alguém próximo esteja passando por sofrimento emocional, confira abaixo onde encontrar ajuda:
Centro de Valorização da Vida (CVV)
Se você precisa de apoio imediato, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), um serviço gratuito que oferece suporte emocional 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.
Há também uma iniciativa do Unicef voltada para jovens de 13 a 24 anos, disponível pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e atendem pacientes com transtornos mentais, incluindo unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, existem 33 Caps Infantojuvenis, e os endereços podem ser consultados nesta página.
O site disponibiliza mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico, tanto presencial quanto online, além de materiais informativos sobre transtornos mentais.
NOTA DA REDAÇÃO: O suicídio é um problema de saúde pública. Historicamente, o Estadão e outras mídias evitavam cobrir o tema por receio de incentivar comportamentos semelhantes. Contudo, diante do aumento de casos nos últimos anos, incluindo entre crianças e adolescentes, a discussão se torna necessária. Especialistas ressaltam a importância de abordar a questão com cuidado, visando à prevenção. O jornalismo sobre suicídio pode oferecer esperança a pessoas em risco e suas famílias, ao mesmo tempo que reduz estigmas e promove diálogos construtivos. O Estadão segue diretrizes e recomendações especializadas ao tratar desses casos e suas causas.
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