ministro da Defesa

Múcio vê conflito permanente no mundo e cobra investimento nas Forças brasileiras

Múcio destaca tensão global e pede investimento nas Forças Armadas

02/03/2026 13h06

O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta segunda-feira (2) que as Forças Armadas estão atentas à crescente tensão no Oriente Médio, provocada pelos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Em meio a essa crise, ele enfatizou a necessidade de aumentar os investimentos públicos no setor militar para garantir a segurança do Brasil em um mundo onde “todos estão armados” e os “conflitos” são uma realidade constante.

“Por enquanto é só expectativa em relação ao Oriente Médio. O mundo todo se armou. Não há mais ninguém desarmado. Isso, de certa forma, exige que tenhamos precauções”, comentou. Múcio ressaltou que a convivência com conflitos é uma nova realidade global.

O ministro defende que o Brasil deve investir pelo menos 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em defesa. Atualmente, esse percentual é superior a 1%, enquanto a média mundial está em 2,4%. Embora peça por mais recursos para a defesa, Múcio observou que, com todos os países armados, a diplomacia se torna a principal ferramenta, mas garantiu que o Brasil já está preparado para enfrentar eventuais crises.

As estratégias do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incluem a ênfase na diplomacia e no fortalecimento do multilateralismo, especialmente em um contexto de crescente instabilidade militar na América Latina, com situações como a deposição de Nicolás Maduro na Venezuela e as ameaças dos Estados Unidos de intervenção em Cuba.

“Estamos prontos para agir em defesa do nosso País, mas não para agredir. A Força Armada brasileira existe para dissuasão. Quando falo sobre a necessidade de mais investimento em defesa, é para proteger nossas riquezas e o que somos. Temos Forças menores do que nossa necessidade”, justificou.

Múcio também enfatizou que a defesa não deve ser deixada de lado em favor de outras prioridades, destacando que este governo está comprometido em dar a devida importância à questão.

Em resposta a uma pergunta do Estadão sobre o monitoramento de ações militares na região, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, disse que a instituição “acompanha tudo com muita atenção”, incluindo a escalada de conflito no Irã. Em seu discurso, ele reafirmou que o Exército atua em defesa da soberania nacional.

Esse foco na defesa da soberania se intensificou após as tensões geradas pelo tarifaço da administração Donald Trump e as sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

As declarações de Múcio e Paiva ocorreram durante a cerimônia de admissão de 1.467 mulheres nas Forças Armadas, sendo 1.010 para o Exército, 157 para a Marinha e 300 para a Aeronáutica.

“Hoje testemunhamos, pela primeira vez na história, a apresentação de mulheres para o serviço militar voluntário. É uma vitória da sociedade brasileira, não apenas das mulheres”, disse Múcio.

Ele também destacou a recente proposta do Exército para promover uma mulher ao posto de general de brigada, a coronel médica Claudia Lima Gusmão Cacho.


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