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MPSC denuncia 18 investigados da Presságio por desvio de verba de entidades em Florianópolis

MPSC denuncia 18 investigados na Operação Presságio por desvio de verbas em Florianópolis

O ex-secretário de Cultura, Turismo e Esporte de Florianópolis, Ed Pereira, está entre os denunciados

20/02/2026 - 19:05 - Atualizada em: 22/02/2026 - 15:03

A Operação Presságio investiga supostos desvios de verbas destinadas a entidades e projetos sociais na capital catarinense. Nesta sexta-feira (20), o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou uma denúncia contra 18 indivíduos envolvidos no caso.

Embora os nomes dos denunciados não tenham sido oficialmente divulgados, fontes da reportagem do NSC Total confirmaram que Ed Pereira e seu ex-assessor, Renê Raul Justino, estão entre os acusados. Ambos foram presos preventivamente durante a segunda fase da operação, em maio de 2024. Outros dois investigados, Cleber Ferreira e Lucas da Rosa Fagundes, também foram detidos na mesma ocasião por suspeitas de participação no esquema.

A denúncia foi elaborada pela 31ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, especializada em moralidade administrativa. De acordo com os documentos, o grupo operava uma estrutura criminosa organizada em quatro níveis: liderança, setor financeiro, operacional e "laranjas", facilitando o desvio contínuo de recursos públicos destinados a projetos sociais.

O esquema utilizava notas fiscais falsas, projetos fictícios e serviços superfaturados para justificar pagamentos irregulares. Apenas uma fração dos valores transferidos às entidades era aplicada nas atividades prometidas, enquanto o restante era devolvido ao grupo por meio de depósitos fracionados e saques em dinheiro.

A utilização de "laranjas" dificultava o rastreamento da origem ilícita dos recursos. Documentos e mensagens apreendidos apresentam evidências das movimentações financeiras que não condizem com a renda declarada pelos envolvidos.

Os crimes imputados aos denunciados incluem desvio de verbas públicas (peculato), falsidade ideológica, fraude em licitação e organização criminosa.

A nova acusação detalha o funcionamento do esquema e abrange todos os investigados. Além disso, outras seis ações penais, decorrentes de denúncias relacionadas a desvios específicos, continuam em andamento na Justiça.

A denúncia é um desdobramento da investigação da Operação Presságio, que começou em 2021 e se intensificou a partir de 2023. Inicialmente focada em irregularidades na coleta de lixo, a apuração se expandiu para incluir a destinação de verbas a entidades sociais e esportivas desde 2019.

Agora, a denúncia será submetida ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que decidirá sobre sua aceitação. Se aceita, será aberta uma ação penal e os denunciados se tornarão réus.

Os advogados de Lucas da Rosa Fagundes, Alceu de Oliveira Pinto Júnior e Raul Eduardo Alves de Oliveira Pinto, afirmaram que ele é inocente e não participou de qualquer desvio de recursos públicos, destacando que as acusações se baseiam em interpretações errôneas de mensagens e movimentações bancárias.

A defesa de Renê Raul Justino, representada por Wiliam Shinzato e Marina Shinzato, informou que ainda está avaliando a situação jurídica do cliente.

O advogado de Ed Pereira, Claudio Gastão da Rosa Filho, expressou surpresa ao tomar conhecimento da denúncia através da imprensa, ressaltando que ainda não houve notificação oficial sobre a aceitação da acusação pelo magistrado.


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