MPM cita ataques de Braga Netto a generais para pedir expulsão do Exército
MPM solicita expulsão de Braga Netto do Exército
Na terça-feira (3), o Ministério Público Militar enviou uma representação ao STM (Superior Tribunal Militar) onde afirma que o general Walter Braga Netto foi responsável por ataques a outros generais e teve um papel de “gigantesca relevância” na tentativa de golpe de Estado. Para o MPM, suas ações infringem diversos princípios éticos das Forças Armadas.
O documento, que a CNN Brasil teve acesso, menciona relatos de pressão sobre comandantes que não apoiavam o golpe, além de supostos ataques a colegas, usando uma linguagem considerada imprópria para a hierarquia militar em mensagens privadas.
De acordo com o MPM, as atitudes de Braga Netto contrariam a prática da “camaradagem” e do “espírito de cooperação” estabelecidos no Estatuto dos Militares.
"[Braga Netto] se dedicou a promover ataques a militares que não endossavam o movimento golpista, com o intuito de retratá-los como traidores da pátria, expondo-os a possíveis ações violentas por parte dos apoiadores do golpe", declara a representação.
Além disso, o documento destaca a falta de discrição e a violação de normas de boa educação por parte do general, mencionando um episódio em que se referiu ao então Comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, como “cagão”.
Para o Ministério Público Militar, as condutas de Braga Netto comprometeram deveres fundamentais, como o compromisso com a verdade, a probidade administrativa, o respeito à Constituição e a submissão das Forças Armadas ao poder civil.
O texto ainda caracteriza o general como um operador “nos bastidores” da trama golpista, responsável por aumentar a presença política dos militares no governo e por criar um clima de pressão sobre instituições civis e agentes políticos.
A representação menciona reuniões com teor golpista na residência do general e apresenta provas de que ele teria ajudado a viabilizar recursos financeiros para a trama, além de ter mantido contato com lideranças de acampamentos em frente a quartéis, oferecendo apoio logístico e material a grupos que contestavam os resultados das eleições.
Diante disso, o MPM solicitou a abertura de um processo para avaliar a perda do posto e da patente do general, o que resultaria em sua exclusão definitiva das Forças Armadas.
O STM irá analisar a representação e decidir se abrirá o processo para julgar a possível perda de patente. Até que haja uma decisão final, o militar permanecerá na reserva, mantendo suas prerrogativas.
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