MP apura se Corinthians fez uso de imóvel de empresário ligado ao PCC
MP investiga uso de imóvel de empresário ligado ao PCC por jogadores do Corinthians
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) está averiguando se atletas do Corinthians utilizaram um imóvel pertencente a José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão, que tem vínculos com o PCC.
A investigação surgiu após a coleta de depoimentos de integrantes do clube, no contexto de uma apuração sobre o uso indevido de cartões corporativos. A informação foi inicialmente divulgada pelo GE e confirmada pelo Estadão.
O imóvel em questão supostamente foi alugado para os jogadores Fausto Vera, atualmente no Atlético-MG, Rodrigo Garro e Talles Magno. A promotoria investiga se esse trio realmente residiu no local e se o Corinthians atuou como intermediário na transação.
Embora não haja indícios de crime envolvendo os atletas, o promotor Cássio Roberto Conserino solicitou que eles se apresentem como testemunhas.
O Corinthians se manifestou, afirmando estar "à disposição da Justiça para colaborar com as informações que forem solicitadas". Na última terça-feira, o clube informou ter entregue documentos requisitados pelo MP, que incluem dados sobre cartões de crédito e relatórios de despesas durante as gestões de Augusto Melo, Duílio Monteiro Alves e Andrés Sanchez.
O proprietário do imóvel, José Carlos Gonçalves, já foi alvo de investigações pela Polícia Federal na Operação Rei do Crime, em 2020, por suspeitas de lavagem de dinheiro do PCC. Ele também está vinculado à Operação Carbono Oculto, iniciada em agosto de 2025, que investiga a atuação da organização criminosa no setor de combustíveis.
Nos documentos da investigação conjunta do Ministério Público, Polícia Federal e Receitas Estadual e Federal, o empresário é descrito como um "financiador" do narcotraficante Wagner 'Cabelo Duro', que foi morto em 2018.
Adicionalmente, Gonçalves teria ligações com Antônio Vinícius Gritzbach, um delator do PCC que foi assassinado em 8 de novembro de 2024, no aeroporto de Guarulhos.
Gritzbach também teve seu nome associado ao Corinthians. Em sua delação, ele mencionou a UJ Football Talent, uma agência de assessoria esportiva, como parte do braço do PCC no futebol. A empresa, que nega essa conexão, foi o destino final de R$ 1.074.150,00 desviados do contrato entre o clube paulista e a Vai de Bet, após o valor passar por várias empresas laranjas.
A investigação do MP sobre gastos irregulares no Corinthians foi desencadeada por uma reportagem do GE que indicou movimentações suspeitas na administração de Duílio Monteiro Alves. Apenas na última semana de outubro de 2023, o Corinthians gastou R$ 32,5 mil em uma empresa de alimentos, Oliveira Minimercado Ltda, cujo endereço não apresenta "qualquer comércio ou resquício de comércio". O promotor Cássio Roberto Conserino verificou pessoalmente que, naquele local, "não consta ou constou comércio algum".
A apuração teve início com o vazamento de faturas do cartão corporativo do clube nas redes sociais. Antes que o caso de Duílio emergisse, Andrés Sanchez admitiu ter utilizado de forma indevida o cartão, ao confundir com seu cartão pessoal durante uma viagem de Réveillon entre o final de 2020 e o início de 2021. O gasto foi de R$ 9.416, e ele restituiu o clube com juros após o episódio ser amplamente divulgado.
← Voltar para as notícias