Morte do narcotraficante “El Mencho” desencadeia onda de violência no México
Onda de Violência no México Após Morte de “El Mencho”
O estado de Jalisco entrou em estado de alerta máximo neste domingo (22), em decorrência de uma série de ataques coordenados atribuídos a grupos narcotraficantes. Veículos, postos de combustíveis e lojas de conveniência foram incendiados em Guadalajara e em outras cidades.
A escalada da violência se intensificou logo após o anúncio por autoridades federais da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Nova Geração de Jalisco (CJNG), considerado um dos criminosos mais procurados globalmente.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram o clima de pânico no aeroporto de Jalisco. O Grupo Aeroportuario del Pacífico informou que não houve incidentes nas áreas internas e que todos os voos continuaram, pedindo calma aos passageiros e orientando que seguissem as instruções das equipes locais.
A operação que resultou na morte do narcotraficante ocorreu em Talpa de Allende, uma área sob forte influência do cartel. Após a confirmação do óbito, houve mobilização de forças de segurança em pelo menos seis estados: Jalisco, Michoacán, Colima, Guanajuato, Tamaulipas e Aguascalientes, com bloqueios em rodovias e ações táticas simultâneas, segundo a imprensa.
O governador de Jalisco, Pablo Lemus Navarro, relatou que a operação federal em Tapalpa gerou confrontos e reações criminosas em diversas localidades. Ele afirmou que indivíduos incendiaram veículos e bloquearam estradas para dificultar a atuação das autoridades. “Determinei a instalação imediata do comitê de segurança com os três níveis de governo e a ativação do Código Vermelho para proteger a população”, destacou.
Além disso, o governo estadual suspendeu o transporte público na Região Metropolitana de Guadalajara e cancelou a Vía Recreativa, um evento dominical tradicional na capital. O governador reforçou que o estado permanece em alerta máximo e recomendou que a população evite sair de casa enquanto os confrontos se intensificam.
El Mencho, nascido em 17 de julho de 1966, em Naranjo de Chila, Michoacán, tinha uma recompensa de US$ 15 milhões oferecida pela Administração de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA) por informações que levassem à sua captura ou condenação. Sua trajetória no crime organizado foi marcada por uma ascensão rápida, tornando-se um dos líderes mais poderosos do narcotráfico.
Os presidentes do México, Claudia Sheinbaum, e dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceram acordos de cooperação para combater o tráfico de drogas entre os países.
Uma nova força-tarefa, liderada por militares americanos, participou da operação que resultou na morte de “El Mencho”. Conhecida como Joint Interagency Task Force-Counter Cartel, a equipe foi criada discretamente no final de 2025 e tem como missão mapear as redes de organizações criminosas ao longo da fronteira.
Fontes do Departamento de Defesa dos EUA afirmaram que a força-tarefa forneceu informações valiosas que auxiliaram as autoridades mexicanas, embora a operação militar tenha sido conduzida exclusivamente pelo México.
O confronto armado no estado de Jalisco deixou Oseguera gravemente ferido; ele faleceu durante o traslado aéreo para a Cidade do México. As autoridades mexicanas ressaltaram que receberam “informações complementares” dos EUA.
Desde 2017, “El Mencho” enfrentou diversas acusações nos EUA. A mais recente, de abril de 2022, o acusa de conspiração para distribuição de metanfetamina, cocaína e fentanil, além de uso de armas de fogo em crimes ligados ao narcotráfico e por comandar uma organização criminosa contínua.
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