Morte de PM encontrada com arma na mão será investigada como suspeita
Investigação da Morte de PM é Classificada como Suspeita
A Polícia Civil de São Paulo iniciará uma investigação sobre o falecimento da soldado da PM, Gisele Alves Santana, de 29 anos, ocorrido no dia 18 de janeiro em seu apartamento no Brás, região central da cidade.
Gisele era casada com Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronel da PM.
Segundo o boletim de ocorrência, policiais foram chamados após relatos de que a mulher teria disparado uma arma contra a própria cabeça.
A vítima foi socorrida por uma equipe da USA (Unidade de Suporte Avançado) e posteriormente transferida pelo helicóptero Águia do Grupamento Aéreo da PM para o Hospital das Clínicas, onde foi constatado o óbito.
Geraldo informou aos policiais que estava no banheiro quando ouviu o disparo. Ao sair, encontrou Gisele caída, com a arma em mãos e um sangramento intenso.
O relacionamento do casal enfrentava dificuldades. Em depoimento, o tenente-coronel relatou que conheceu Gisele em 2021, quando ela já era mãe de uma menina de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. O casal oficializou a união em 2024.
Geraldo afirmou que, devido à origem humilde de Gisele, ele assumiu as despesas da casa e se comprometeu a pagar a escola da filha dela.
O tenente-coronel revelou que, após ser transferido para o 49º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano), o relacionamento se tornou conturbado. Ele alegou estar sendo alvo de retaliações por parte de alguns policiais, com denúncias anônimas à Corregedoria da PM sobre um suposto relacionamento extraconjugal.
Geraldo também mencionou que Gisele começou a receber mensagens de perfis falsos nas redes sociais, aumentando os ciúmes e as discussões entre o casal.
Desde agosto, eles passaram a dormir em quartos separados. Na sexta-feira (13), ao chegar em casa, Geraldo encontrou Gisele trancada no quarto com a filha, e ela anunciou sua intenção de se separar.
No dia seguinte, Gisele saiu com a filha e, enquanto Geraldo estava em São José dos Campos, eles continuaram a discutir sobre ciúmes. Na segunda-feira (16), após um dia de trabalho, novas desavenças ocorreram à noite.
Na terça-feira (17), após um desentendimento na academia do prédio, eles permaneceram em cômodos separados até se encontrarem para uma conversa sobre o relacionamento. Geraldo expressou a vontade de se separar na manhã seguinte, mas Gisele reagiu de forma exaltada.
Ele, então, decidiu tomar banho. Geraldo afirmou que a arma estava guardada em cima do armário e que tinha o hábito de trancar a porta desde que começaram a dormir separados, devido a um incidente anterior em que Gisele teria agredido um ex-parceiro.
Após o disparo, Geraldo acionou o resgate e entrou em contato com um amigo, que era desembargador. Ele foi levado ao hospital em uma viatura descaracterizada e recebeu atendimento psicológico.
Geraldo revelou que Gisele não usava medicamentos controlados e que havia dificuldades de aceitação por parte da família dela em relação ao relacionamento.
Após o incidente, Geraldo solicitou permissão para entrar no apartamento e tomar banho, o que inicialmente foi negado, mas depois autorizado.
A mãe de Gisele, Marinalva Vieira Alves, descreveu o relacionamento como conturbado, alegando que o policial era abusivo e controlava o comportamento da filha. Ela relatou que, ao mencionar a separação, Geraldo enviou uma foto com uma arma apontada para a própria cabeça.
O caso, inicialmente registrado como "suicídio consumado", foi reclassificado para "morte suspeita" para permitir uma investigação mais aprofundada. Foram apreendidos três celulares, uma pistola calibre .40, munições e a bermuda que Geraldo usava quando tomou banho após o crime, a qual também será submetida a perícia.
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