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Morte de Khamenei aumenta instabilidade no Irã, diz professora à CNN

Morte de Khamenei provoca instabilidade no Irã, afirma professora à CNN

A morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi confirmada neste sábado (28), mas isso não implica, necessariamente, na queda do regime iraniano. Em entrevista à CNN Brasil, a professora Ana Carolina Marson, especialista em Relações Internacionais da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), observou que, embora a morte do líder aumente a instabilidade no país, a estrutura de poder consolidada pode garantir a continuidade do regime.

A especialista ressaltou que existe uma rede de poder por trás do governo, que vai além da figura de Khamenei. "Apesar dos apelos dos Estados Unidos, de Israel e da população para a mudança do regime, existe uma estrutura que sustenta esse sistema", explicou.

Atualmente, o Irã é administrado por um triunvirato formado pelo presidente, uma liderança religiosa e o chefe do judiciário. Este grupo será responsável pela escolha do próximo líder supremo.

Entre os possíveis sucessores estão o filho de Khamenei, o neto do antigo Ayatollah Khomeini, que liderou a Revolução Iraniana, e até mesmo o filho do deposto Shah Reza Pahlavi, que foi afastado durante a revolução de 1979.

Tensão no Oriente Médio

A morte de Khamenei ocorre em um contexto de intensa tensão no Oriente Médio, com confrontos entre o Irã e Israel e o envolvimento dos Estados Unidos na região. Ana Carolina avaliou que o Irã possui capacidade limitada de retaliar os ataques recentes.

"Acredito que o Irã tenha sim capacidade de responder, mas essa capacidade não é muito grande", afirmou. Ela também destacou a incerteza sobre o tamanho real do arsenal bélico iraniano, embora o país tenha demonstrado sua força em ataques a bases americanas na região.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou uma resposta contundente caso o Irã intensifique suas ações retaliatórias. Ana Carolina comentou que, apesar das ameaças, os Estados Unidos parecem evitar conflitos prolongados no momento, considerando o histórico recente do país. "Trump não parece que vai retroceder. E agora, a morte de Khamenei gera mais um ponto de tensão em uma situação já complexa", analisou.

Influência do Irã na região

Sobre a influência regional do Irã, a professora lembrou que o país financia diversos grupos considerados terroristas, como os Hutis no Iémen, o Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano. Essa estratégia de inserção regional é um dos fatores que fazem do Irã uma ameaça percebida pelos Estados Unidos e seus aliados.


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