Cartel de Sinaloa

Morte de “El Mencho” no México pode gerar guerra territorial e de poder

Morte de “El Mencho” pode desencadear guerra territorial no México

A eliminação de Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", à frente do cartel de Jalisco, pode provocar uma intensa guerra entre gangues de narcotraficantes no México, conforme apontam analistas.

Os cartéis de Jalisco e Sinaloa vêm travando uma batalha pelo controle do lucrativo mercado de drogas, que inclui cocaína, heroína e fentanil, além de disputarem o domínio sobre a imigração ilegal rumo aos Estados Unidos.

O CJNG (Cartel Jalisco Nova Geração) foi classificado pelo governo americano como "uma das cinco organizações criminosas mais perigosas do mundo", com operações que geram bilhões de dólares.

Após a morte de "El Mencho", a situação no México se tornou ainda mais tensa, com ônibus incendiados em represália e uma divisão interna no cartel que pode gerar um vácuo de poder.

Além disso, o Departamento de Estado dos EUA designou o CJNG como uma organização terrorista estrangeira em fevereiro de 2025.

A repercussão dessa morte será significativa para o narcotráfico na América, dependendo de quem assumir a liderança do grupo ou se ocorrer fragmentação devido a disputas internas.

Conflito pelo controle entre cartéis

Oseguera, fundador do CJNG, soube explorar a desorganização do Cartel de Sinaloa, ampliando rapidamente as atividades do grupo para incluir roubo de combustível, tráfico de pessoas e fraude financeira.

O grupo de Jalisco chegou a estabelecer uma aliança com partes do Cartel de Sinaloa, a fim de aprofundar as divisões internas.

Os ex-líderes do Cartel de Sinaloa, Joaquín "El Chapo" Guzmán e Ismael "El Mayo" Zambada, encontram-se detidos nos Estados Unidos. Guzmán foi extraditado em 2017, enquanto Zambada foi extraditado no ano anterior, o que deu início a uma luta pelo controle do grupo entre os filhos de Guzmán e uma facção leal a Zambada.

As disputas territoriais e a ganância sempre marcaram a história dos cartéis de narcotráfico, tanto na Colômbia quanto no México. Os rivais aproveitam qualquer sinal de fraqueza.

A falta de um sucessor claro para o Cartel de Sinaloa pode agora se aplicar ao CJNG, que enfrenta um cenário similar.

O filho de El Mencho, Rubén Oseguera, cumpre pena nos Estados Unidos após ser extraditado em 2020. Sua esposa foi presa no México em novembro de 2021, sob acusações de lavagem de dinheiro, e dois irmãos também estão detidos.

David Saucedo, especialista em segurança, afirma que “a linha de sucessão do Cartel Jalisco foi interrompida”. Apenas um irmão e um enteado permanecem, sendo que este último “ainda não possui influência entre os demais comandantes do cartel”.

Quatro comandantes do CJNG estão em disputa pela supremacia, podendo iniciar uma guerra de sucessão para definir o controle do cartel, embora uma transição negociada também seja viável.

Oseguera era o líder incontestável, mas rumores sobre sua saúde já provocaram deserções. Os Mezcales, uma facção dissidente no estado de Colima, romperam laços com o CJNG há quatro anos, acreditando que ele havia falecido, o que gerou semanas de violência entre gangues.

Conflito territorial com o Cartel de Sinaloa

A rivalidade entre o CJNG e o Sinaloa se estende por vários estados do México, com ambos os grupos disputando o controle de rotas de narcotráfico no centro e norte do país, segundo o InSightCrime.

Mexicali, capital da Baja California e fronteira com os EUA, é um ponto crítico de competição. Facções do cartel ergueram bloqueios na região após a morte de El Mencho.

Além disso, os dois cartéis estão envolvidos em uma disputa no estado de Chiapas, na fronteira com a Guatemala, pelo controle do contrabando de migrantes.

A luta contra os cartéis representa um risco de violência em todo o México, com gangues retaliando contra forças de segurança e entre si. O CJNG está presente em mais de 20 estados mexicanos.

Há também o temor de que o cartel ou suas facções recorra ao narcoterrorismo, semelhante ao que ocorreu na Colômbia na década de 1980, quando Pablo Escobar declarou guerra ao Estado, resultando em atentados e assassinatos.

Saucedo observa indícios dessa possibilidade na resposta violenta do CJNG, caracterizada por bloqueios e incêndios em estabelecimentos comerciais por todo o país.

Uma “guerra total contra o Estado mexicano” permanece como um cenário possível, já que o CJNG tem mostrado disposição para esse tipo de ataque anteriormente.

Seis anos atrás, o cartel tentou assassinar o secretário de Segurança Pública, Omar García Harfuch, resultando em ferimentos ao oficial e na morte de dois guarda-costas e um pedestre.

“Atualmente, parece que todos os principais comandantes do CJNG se uniram para atacar o Estado mexicano”, comentou Saucedo, com o intuito de “paralisar a atividade econômica e impactar a imagem do governo nacional e internacionalmente”.

Entretanto, a morte de El Mencho também pode ser uma oportunidade para o governo mexicano, que pode implementar operações direcionadas contra os líderes dos cartéis.

No momento, as forças de segurança estão focadas em restabelecer a ordem no país.


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