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Morte de 'El Mencho' no México fortalece corporações como o PCC

O falecimento de Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", em 22 de fevereiro de 2026, não apenas marca a desarticulação de um cartel mexicano, mas também indica uma possível mudança no controle logístico do narcotráfico global, favorecendo corporações criminais sul-americanas, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Abatido em uma operação militar na região de Tapalpa, no estado de Jalisco, Oseguera Cervantes deixou como legado o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas que mais cresceu e diversificou suas atividades no hemisfério ocidental, sendo também a mais letal.

O impacto dessa morte vai além da simples eliminação de um líder. O vácuo de poder criado pode facilitar a transferência do eixo logístico do narcotráfico para corporações como o PCC.

A doutrina operacional e a militarização do CJNG

Oseguera Cervantes, nascido em 1966 em Michoacán, começou sua carreira no setor policial, fundando o CJNG entre 2009 e 2010. Inicialmente atuando como um braço armado do Cartel de Sinaloa, ele transformou o CJNG em uma organização que combinava a exploração de mercados ilícitos com táticas de insurgência e terrorismo doméstico.

O grupo se destacou pela crueldade e pela diversificação de suas atividades, ampliando seu alcance em economias lícitas e ilícitas, incluindo extorsão, tráfico humano e contrabando de combustíveis, prática conhecida como "huachicol". Essa diversificação garantiu proteção contra flutuações no mercado de drogas e financiou armamentos pesados.

A operação conjunta e a guerra cognitiva

A morte de El Mencho foi resultado de anos de inteligência interagências, com operações coordenadas pelo JIATF-CC dos Estados Unidos. A resposta do CJNG foi imediata, com táticas de "narcobloqueios" e uma estratégia de guerra psicológica que utilizou Inteligência Artificial para disseminar desinformação e gerar pânico.

Essa habilidade em manipular informações evidencia a complexidade da ameaça que o CJNG representa.

O vácuo de poder e o risco de balcanização

A estrutura do CJNG, fortemente centralizada sob o controle de El Mencho, agora enfrenta uma crise existencial. Com a prisão de membros da cúpula, a organização se vê obrigada a depender de comandantes regionais, cada um com seu próprio exército.

A falta de uma liderança unificada pode levar à fragmentação do cartel em facções menores, aumentando a violência e a competição por controle territorial.

O paradigma do narcoterrorismo e o mercado norte-americano

O contexto da morte de El Mencho também coincide com um aumento na designação de cartéis mexicanos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) pelos Estados Unidos. Essa reclassificação permite novas intervenções financeiras e estratégias de combate ao narcotráfico.

O CJNG, que atuava em um modelo industrial completo, enfrentará flutuações na oferta de drogas, mas o Cartel de Sinaloa rapidamente poderá ocupar esse espaço, estabilizando o mercado.

A hegemonia sul-americana e a ascensão do PCC

A queda de Oseguera Cervantes abre oportunidades para o PCC, que pode expandir sua influência nas rotas e minas antes controladas pelo cartel mexicano. A estrutura descentralizada do PCC, em contraste com a vertical do CJNG, permite uma resiliência maior frente à prisão de líderes.

O PCC, ao priorizar uma abordagem utilitarista em sua estratégia de violência, pode agora assumir o controle das rotas de cocaína, aumentando seus lucros e consolidando sua posição no tráfico internacional.

A reconfiguração europeia e o isolamento do CJNG

O CJNG tinha laços logísticos com redes criminosas na Europa, mas a instabilidade interna pode torná-lo um parceiro menos confiável. As máfias europeias, como as sicilianas e albanesas, podem optar por alianças com o PCC, que oferece operações logísticas mais previsíveis.

A morte de El Mencho representa um fim para os impérios criminosos personalistas, desafiando as estratégias de segurança que historicamente dependiam da eliminação de líderes.

O futuro do PCC e a segurança na América do Sul

Com um modelo operacional quase imune ao encarceramento, o PCC se prepara para ocupar os vácuos deixados pela fragmentação do CJNG. Ações coordenadas entre agências de segurança na América do Sul serão cruciais para desmantelar a arquitetura logística que domina os mercados ilícitos globais.

A liderança dessas forças-tarefas transnacionais é fundamental para garantir uma resposta eficaz ao novo cenário do narcotráfico.


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