Morte de 'El Mencho' abre disputa pela sucessão no Cartel Jalisco e ameaça novo ciclo de violência no México
Disputa interna no Cartel Jalisco após a morte de 'El Mencho'
A recente morte de Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), resultou em um vácuo de poder que pode desencadear um novo ciclo de violência no México. A operação que culminou em sua morte foi realizada em conjunto por forças mexicanas e dos Estados Unidos, deixando a organização criminosa em um momento de incerteza.
Com muitas das figuras centrais do cartel neutralizadas, a luta pela sucessão se intensifica. Entre os possíveis novos líderes estão Ricardo Ruiz Velasco e Hugo Mendoza Gaytan. O CJNG, que ganhou notoriedade por sua brutalidade, agora enfrenta o desafio de se reorganizar em meio a essa crise de liderança.
O filho de El Mencho, Rubén Oseguera, conhecido como "El Menchito", está cumprindo pena perpétua nos EUA desde 2020. Além disso, um dos irmãos de El Mencho, Antonio Oseguera, foi extraditado para Washington no ano passado, enquanto outro irmão, Abraham, foi capturado recentemente.
A viúva de El Mencho, Rosalinda González Valencia, também conhecida como "La Jefa", foi presa, mas liberada por um juiz em janeiro do ano passado, gerando críticas do governo de Claudia Sheinbaum sobre a corrupção no judiciário. A liderança do CJNG pode, potencialmente, ser herdada pelo clã González Valencia, que comanda o cartel Los Cuinis.
Segundo David Saucedo, especialista em segurança, a ausência de um sucessor evidente pode levar a uma disputa entre diferentes comandantes do cartel. Ele observa que, embora uma guerra interna seja provável, também existe a possibilidade de uma transição de poder mais controlada.
O acadêmico Gerardo Rodríguez pondera que a falta de um sucessor claro pode resultar em um cenário similar ao da Colômbia, com o surgimento de facções criminosas locais.
O ministro da Defesa do México, Ricardo Trevilla, afirmou que o governo está vigilante diante da possibilidade de reestruturações dentro do cartel. Esse vácuo de liderança pode, de fato, resultar em conflitos internos, semelhantes aos que ocorreram no Cartel de Sinaloa após a captura de Ismael "El Mayo" Zambada.
Entre os possíveis candidatos à liderança do CJNG, mencionados pela CNN, estão Ricardo Ruiz Velasco ("El Doble R"), Audias Flores ("El Jardinero") e Hugo Mendoza Gaytan ("El Sapo"). Um relatório da Diretoria de Inteligência Nacional dos EUA identificou esses nomes, além de Juan Carlos Valencia González ("El Pelón") e Julio Alberto Castillo Rodríguez ("El Chorro").
Desde 2014, os EUA acusam El Mencho e El Cuini de tráfico de drogas, com lucros anuais estimados em pelo menos US$ 10 milhões. O CJNG é responsável por diversos atos de violência, como assassinatos e sequestros, a fim de garantir sua posição e expandir seu domínio.
Sob a liderança de El Mencho, o cartel se expandiu significativamente, incluindo operações em outros países. O grupo ganhou notoriedade ao exibir 35 cadáveres torturados em Boca del Río, em 2011.
Inicialmente, o CJNG era conhecido como Los Matazetas, com o objetivo de eliminar o cartel Los Zetas, que era conhecido por sua brutalidade. Com o tempo, o CJNG rompeu alianças e se tornou o principal alvo do governo após a queda de líderes de outros cartéis.
Na capital, o cartel orquestrou um ataque em 2020 contra Omar García Harfuch, o então secretário de Segurança da Cidade do México, que agora lidera a estratégia de combate ao narcotráfico em nível federal.
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