Cidade do México

Morte de El Mencho: a onda de violência no México após morte de traficante mais procurado do país

Aumento da Violência no México Após Morte de El Mencho

Uma onda de violência no México resultou na morte de ao menos 68 pessoas após a morte do traficante mais procurado do país, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho". A ação foi desencadeada por membros do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), uma das facções mais temidas do país, em 20 estados.

As autoridades relataram que 25 das vítimas eram membros da Guarda Nacional. Em retaliação à morte de seu líder, o cartel incendiou estabelecimentos comerciais, bancos e farmácias, além de bloquear vias com veículos em chamas. Em diversas cidades, pregos e objetos pontiagudos foram espalhados nas estradas, e ônibus e carros foram incendiados.

Na segunda-feira, 23 de fevereiro, o governo anunciou o envio de 2.500 militares para o oeste do país, somando-se aos 7.000 já mobilizados em Jalisco. O cartel reagiu violentamente após a morte de "El Mencho", que ocorreu sob custódia no domingo, 22 de fevereiro, após ser capturado por forças especiais. Ele ficou gravemente ferido em um confronto enquanto era transportado de Tapalpa para a Cidade do México.

O secretário de Defesa Nacional, Ricardo Trevilla Trejo, revelou que "El Mencho" foi localizado através de uma de suas parceiras românticas. A operação de captura foi uma das mais significativas na luta contra o tráfico de drogas.

Conforme a notícia se espalhava, ataques foram registrados em várias cidades onde o CJNG opera. Em Guadalajara, passageiros no aeroporto foram vistos em pânico, enquanto em Puerto Vallarta, colunas de fumaça surgiram de veículos incendiados. Autoridades descartaram rumores de tiros dentro do aeroporto, mas o caos levou ao cancelamento de voos e à retenção de 300 turistas.

As aulas foram suspensas em diversos estados, e pelo menos quatro jogos de futebol foram cancelados. Em várias cidades, as autoridades recomendaram que os moradores permanecessem em casa, resultando em ruas desertas.

As cenas de violência lembraram os confrontos que ocorreram em Sinaloa após a captura de outro líder do tráfico, Ovidio Guzmán López, em 2019. Naquele incidente, os confrontos foram tão intensos que as autoridades decidiram libertá-lo para evitar mais derramamentos de sangue.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu à população que permaneça calma, destacando que a maioria do país continua com suas atividades normais. Ela elogiou as forças de segurança pela operação que resultou na captura de "El Mencho".

O ministério da Defesa do México confirmou que a operação foi realizada com apoio dos EUA, que haviam oferecido uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão do traficante. O ex-chefe de operações internacionais da DEA, Mike Vigil, classificou a operação como uma das mais significativas na história do combate ao tráfico.

O Cartel Jalisco Nova Geração se tornou uma força poderosa, aproveitando a captura de líderes rivais e recrutando especialistas para desenvolver novas drogas. O cartel não se limita ao narcotráfico, mas também se envolve em negócios legítimos para lavar dinheiro.

Rumores sobre a saúde de "El Mencho" circularam nos últimos anos, e especialistas acreditam que ele já não estava diretamente à frente das operações do cartel. Seu filho, Rubén Oseguera González, e sua esposa, Rosalinda González Valencia, também enfrentam problemas legais, com a esposa tendo sido condenada por crime organizado e liberada recentemente.


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