Arlindo Cruz

Morre Arlindo Cruz, compositor que redefiniu o samba, aos 66 anos; relembre trajetória

Morre Arlindo Cruz, aos 66 anos; relembre sua trajetória

O renomado cantor e compositor Arlindo Cruz faleceu nesta sexta-feira, 8 de setembro, aos 66 anos. Ele estava internado no Rio de Janeiro, e a notícia foi confirmada pelo assessor de seu filho, Arlindinho, ao Estadão, sendo posteriormente divulgada nas redes sociais do artista.

Arlindo foi um dos fundadores do Cacique de Ramos e deixou um legado de quase 700 composições.

O sambista enfrentou complicações de saúde desde um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que sofreu em 2017. Desde então, sua condição variava, com diversas internações.

Em julho de 2023, sua saúde piorou e ele foi internado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, para tratar uma pneumonia. Neste mesmo ano, ele também enfrentou uma caxumba bacteriana, que exigiu quase um mês de cuidados médicos.

Nos anos seguintes, Arlindo foi hospitalizado várias vezes para tratar infecções respiratórias e urinárias. Em abril de 2025, ele foi novamente internado com pneumonia e ficou 50 dias sob cuidados intensivos antes de receber alta em 18 de junho. Contudo, logo após, seu estado se agravou e ele não sobreviveu.

O cantor havia sofrido um AVC em março de 2017, o que o levou a uma internação de 15 meses, grande parte na UTI. Durante a recuperação, passou por 14 cirurgias, incluindo cinco no crânio, e enfrentou uma embolia pulmonar.

Ao retornar para casa, Arlindo teve que lidar com as sequelas que afetaram sua mobilidade e fala. Sua rotina de reabilitação, que incluía fisioterapia e fonoaudiologia, era frequentemente compartilhada por sua esposa, Babi Cruz, e seus filhos, Arlindinho e Flora. Em entrevistas, Babi mencionava a vontade de Arlindo de viver.

Durante o carnaval de 2023, ele foi o enredo da escola de samba Império Serrano, onde desfilou sentado no último carro, ao lado da família e amigos como Regina Casé e Marcelo D2. Apesar da popularidade, a escola não teve um bom desempenho.

Após o carnaval, Babi anunciou um novo relacionamento, gerando polêmica nas redes sociais, pois ainda era casada com Arlindo. Ela se manifestou, afirmando que sua prioridade era cuidar da saúde do cantor.

Início da carreira

Nascido em 1958 e criado em Madureira, Rio de Janeiro, Arlindo teve contato com a música através de seu pai. Desde jovem, destacou-se em rodas de samba, incluindo a promovida por Candeia.

Nos anos 1970, foi um dos fundadores da roda de samba do Cacique de Ramos, que contava com grandes nomes do samba. Beth Carvalho se interessou por esse movimento e incluiu composições da roda em seus discos.

Nos anos 1980, Arlindo integrou o famoso grupo Fundo de Quintal, ao lado de ícones como Jorge Aragão e Almir Guineto, até decidir seguir carreira solo no início dos anos 1990.

Com Sombrinha, compôs sucessos como "Alto Lá" e "O Show Tem que Continuar". Sua parceria com Zeca Pagodinho rendeu clássicos como "Bagaço da Laranja" e "Camarão que Dorme a Onda Leva".

Artistas como Beth Carvalho, Alcione e Elza Soares gravaram suas músicas.

Em 2007, Maria Rita incluiu canções de Arlindo em seu álbum Samba Meu, que fez grande sucesso. Ele também se destacou na composição de sambas de enredo para escolas como Império Serrano.

Arlindo lançou discos regularmente e foi indicado ao Grammy Latino em cinco ocasiões. Seu último álbum, "Dois Arlindos", foi uma colaboração com seu filho, em 2017.

O sambista também ficou conhecido na televisão, participando do programa Esquenta da TV Globo entre 2011 e 2017.

Em 2022, Babi mencionou em um podcast que Arlindo enfrentou desafios relacionados ao uso de drogas desde a juventude.

Em junho de 2025, sua biografia, "O Sambista Perfeito - Arlindo Cruz", escrita por Marcos Salles, foi lançada na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. O livro destaca suas mais de 700 composições.

Babi comemorou a publicação, expressando sua felicidade por ver o projeto concluído durante a recuperação do cantor.


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