Mauro Mendes

Moralidade em xeque: Mauro Mendes agora é alvo do veneno que destilou

Mauro Mendes observa o desmoronamento de seu discurso moral enquanto suas próprias acusações se aproximam.

O cenário político em Mato Grosso para 2026 é um verdadeiro labirinto repleto de egos e vulnerabilidades. Nos corredores do Palácio Paiaguás, a pressão para afastar o senador Jayme Campos (União) da disputa pelo Governo é intensa e tem um único objetivo: garantir a sobrevivência política. A estratégia em andamento, conforme apurado, envolve promover a ex-prefeita Lucimar Campos como vice na chapa de Otaviano Pivetta.

Embora o plano pareça "brilhante" na teoria, na prática revela-se vergonhoso. A proposta visa solucionar dois dilemas de uma vez: evitar a fragmentação no União Brasil. Apesar de Mauro Mendes ser presidente do partido, o verdadeiro poder pertence ao cacique de Várzea Grande. Em uma rivalidade interna, Mendes sabe que Jayme poderia superá-lo sem hesitação.

Ademais, o "fantasma" de Pivetta pesa consideravelmente: o vice-governador enfrenta um processo de violência doméstica, arquivado, mas que continua a manchar sua imagem em um estado que lidera os índices de feminicídio. A inclusão de uma mulher — e uma Campos — ao seu lado seria uma tentativa de conferir um ar de "respeito à família" a um projeto político que ainda assusta o eleitorado feminino.

O dilema Fábio Garcia e a mancha da Oi

Enquanto isso, Mauro Mendes aposta em seu "pupilo", Fábio Garcia, para a vice. Contudo, a dificuldade reside em convencer o grupo de que Fábio é uma escolha viável. Após os escândalos envolvendo a Oi, que afetaram sua família, a reeleição para a Câmara Federal já parece um sonho distante; o salto para o Executivo é ainda mais improvável. Fábio tornou-se um peso que Mendes tenta carregar.

O cerco se fecha: CPI da saúde e os pesadelos

A "gestão técnica" de Mauro Mendes está em declínio. O Caso Oi, agora exacerbado por críticas do ex-governador Pedro Taques, atinge diretamente seu filho. O que mais preocupa o Palácio, no entanto, é a iminente CPI da Saúde na ALMT.

Rumores indicam que Mendes e Fábio Garcia tentaram persuadir Max Russi a enterrar a investigação. No entanto, Russi parece ter compreendido que segurar essa "granada sem pino" seria um suicídio político. Com as regras que dificultam a retirada de assinaturas, a CPI se torna um caminho sem retorno.

As gravações da Operação Espelho expõem uma realidade alarmante: médicos rindo ao sugerir que era necessário "pegar gente na rua para lotar a UTI". Essa é a institucionalização da falta de empatia em troca de desvios de recursos públicos. O "jeitinho" e as "brechas na lei" que Mendes tanto critica nos outros parecem ter se instalado em sua própria administração.

O feitiço virou contra o feiticeiro

O ápice do desespero de Mauro foi revelado recentemente em uma conversa. Ao tentar exibir sua suposta integridade, ouviu de um fiscalizador: “Mauro, você pode até se eleger, mas esse discurso de honestidade não cola mais para você”. O governador, segundo fontes, ficou visivelmente incomodado.

O tempo, que é o senhor da razão, tem se mostrado um roteirista de humor ácido na política de Mato Grosso. Durante anos, Mauro Mendes se colocou como um defensor da moralidade, utilizando a crítica como sua principal ferramenta de marketing. Quem não lembra de suas declarações contundentes sobre as lâmpadas de LED em Cuiabá, em que, diante das câmeras, classificou Emanuel Pinheiro como "ladrão"?

O mundo não dá voltas, ele capota. O homem que tanto criticou agora se vê precisando de um robusto suporte jurídico para não se afogar em seu próprio discurso. Como diz o ditado: quem vive em casa de vidro não deve ser o primeiro a lançar pedras. No caso de Mauro, a pedra retornou com a força de um bumerangue.

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