Modi e Netanyahu se abraçam em Israel — mas o que essa aliança realmente esconde?
Modi e Netanyahu: Entendendo a Aliança entre Índia e Israel
Atualizado em 26/02/2026 às 16:03
A visita oficial de Narendra Modi a Israel reacendeu debates globais sobre temas como nacionalismo, identidade e segurança. Recebido em grande estilo pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no Aeroporto Ben Gurion, o líder indiano selou mais uma etapa da crescente parceria entre os dois países, segundo informações da Al Jazeera.
Essa aproximação vai além de questões diplomáticas e cooperação estratégica. Especialistas indicam que a relação se fundamenta em afinidades ideológicas, especialmente na defesa de projetos nacionalistas que priorizam a identidade religiosa e a segurança nacional em suas narrativas políticas.
Desde a histórica visita de Modi ao país em 2017, a primeira de um primeiro-ministro indiano a Israel, as relações bilaterais progrediram em áreas como defesa, tecnologia, agricultura e segurança cibernética. Durante sua fala no Knesset, o parlamento israelense, Modi enfatizou os "laços vitais" entre as duas nações.
Atualmente, Israel se destaca como um dos principais fornecedores de equipamentos militares para a Índia, enquanto o governo indiano se tornou um aliado estratégico de Tel Aviv em fóruns internacionais. A cooperação em inteligência e no combate ao terrorismo também se intensificou.
Apesar do discurso voltado para a proteção nacional, organizações internacionais levantam questões sobre quem realmente se beneficia dentro dessas estruturas políticas.
A situação dos palestinos continua sendo um ponto central de críticas. A Anistia Internacional já classificou cidadãos palestinos de Israel como vivendo sob um sistema de discriminação institucionalizada.
Pesquisadores e ativistas também ressaltam desigualdades históricas enfrentadas por judeus mizrahi e judeus etíopes. Problemas como pobreza, desigualdade educacional e denúncias de racismo estrutural permanecem no debate interno israelense.
Na Índia, o governo de Modi, ligado ao Partido Bharatiya Janata (BJP), enfrenta críticas por políticas associadas ao nacionalismo hindu. A discriminação contra muçulmanos e dalits (castas historicamente marginalizadas) ocupa lugar central nas discussões públicas. O caso de Rohith Vemula, um estudante dalit que faleceu em 2016 após denunciar discriminação universitária, tornou-se um símbolo da luta contra a desigualdade estrutural no país.
Dados recentes mostram um aumento nas queixas relacionadas à discriminação de castas no ensino superior e no mercado de trabalho. Apesar de pesquisas indicarem que parte da população não reconhece amplamente o problema, organizações de direitos humanos alertam para a persistência de hierarquias sociais profundas.
A aliança entre Índia e Israel também reflete uma tendência global de fortalecimento de governos nacionalistas. O discurso de defesa civilizacional contra ameaças externas busca reforçar o apoio interno, mas levanta questionamentos sobre pluralidade, direitos civis e democracia.
Especialistas afirmam que, embora os principais alvos das políticas de segurança sejam palestinos e muçulmanos, as estruturas de exclusão podem afetar outros grupos que não se encaixam na visão dominante de identidade nacional.
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