Minas Gerais tem o período de chuvas mais letal dos últimos 20 anos
Minas Gerais enfrenta o período de chuvas mais letal em duas décadas
27/02/2026 22h32
Dados da Defesa Civil de Minas Gerais revelam que o atual período de chuvas, que começou em 1º de outubro de 2025 e deve se estender até o final de março, é o mais fatal dos últimos 20 anos no estado. A situação se agravou com as chuvas intensas registradas esta semana na Zona da Mata, afetando gravemente Juiz de Fora e Ubá.
Até a tarde de sexta-feira, 27, foram contabilizados 65 óbitos nessas duas cidades, sendo 59 em Juiz de Fora e 6 em Ubá. Além disso, quatro pessoas permanecem desaparecidas, enquanto centenas de famílias enfrentam o desabrigo ou desalojamento. Os temporais ocasionaram deslizamentos de terra, alagamentos e o colapso de várias edificações.
Impacto das chuvas na capital e região metropolitana
As chuvas intensas trouxeram um alívio para o sistema Cantareira, que, após cinco meses em alerta crítico, atingiu 35,24% de capacidade, mudando sua faixa de operação. Contudo, a redução da pressão noturna e o risco de estiagem permanecem.
A previsão do tempo para Minas Gerais indica que as chuvas fortes devem cessar apenas no próximo domingo (1º). Até o momento, o estado registrou um total de 81 mortes neste período chuvoso, superando as 74 mortes do ciclo de 2019-2020, quando os eventos extremos se espalharam por uma área maior.
Conforme um relatório da Gerência de Monitoramento Hidrometeorológico e Eventos Críticos do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), cidades como Belo Horizonte, Florestal, Ibirité, Viçosa e Diamantina também enfrentaram volumes de chuvas acima do esperado para o ano.
As fatalidades atuais se concentram nas localidades mais afetadas pelos temporais recentes, e o número de vítimas pode aumentar, uma vez que ainda há desaparecidos e as chuvas devem continuar em março.
Distribuição dos óbitos
Entre os 81 óbitos registrados desde o início de outubro, 62 ocorreram em Juiz de Fora, 6 em Ubá e 4 em Eugenópolis. Outras cidades, como Muriaé, Sabará, São Thomé das Letras e Pouso Alegre, registraram uma morte cada.
Com uma morte adicional identificada na tarde de sexta-feira, que ainda não constava nos boletins diários da Defesa Civil, o total de vítimas permanece em 81.
Redução de investimentos e segurança
O governo de Romeu Zema (Novo) diminuiu em 95% os gastos com o Programa de Suporte às Ações de Combate e Resposta aos Danos Causados pelas Chuvas. Dados do Portal da Transparência mostram que os gastos caíram de R$ 134.829.787,08 em 2023 para R$ 5.875.482,98 em 2025.
Segundo o governo, esses números não incluem os investimentos feitos em piscinões na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que somam cerca de R$ 200 milhões, nem a compra de kits da Defesa Civil para mais de 600 municípios, com um custo estimado de R$ 70 milhões.
Em Juiz de Fora, onde aproximadamente 25% da população reside em áreas de risco, apenas 16,5% dos recursos federais para obras de contenção de encostas foram utilizados. Dos R$ 70,2 milhões previstos para três contratos, somente R$ 11,56 milhões foram aplicados pela prefeitura.
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a cidade possui a nona maior população do Brasil vivendo em áreas de risco. Na última quarta-feira (25), a Defesa Civil notificou 800 famílias que habitam regiões suscetíveis a deslizamentos sobre a necessidade de evacuação por questões de segurança.
A prefeitura de Juiz de Fora justificou a baixa utilização dos recursos, afirmando que obras financiadas por programas federais seguem um rigoroso controle técnico. Além disso, a administração anunciou que as intervenções em áreas de risco, mapeadas pela Defesa Civil e realizadas desde 2023, contabilizam quase R$ 22,1 milhões em investimentos.
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