gizbr

Microsoft diz ter “tolerância zero” para IA ruim em jogos

Microsoft adota postura firme contra uso inadequado de IA em jogos

A Microsoft anunciou a promoção de Asha Sharma para liderar a divisão Xbox. Antes, a executiva ocupava a presidência do grupo CoreAI Product na empresa, onde atuou por dois anos, embora não tenha experiência anterior na indústria de jogos eletrônicos.

Esta mudança sinaliza uma nova abordagem na liderança da divisão de games, ocorrendo ao mesmo tempo em que Sarah Bond, que foi presidente e COO da Xbox por quase nove anos, deixa a companhia.

Em uma entrevista à Variety, Sharma discutiu sua visão sobre o uso de inteligência artificial na criação de jogos. Em um memorando anterior, ela havia comentado que a empresa não iria buscar "eficiência de curto prazo" nem "inundar o ecossistema com lixo de IA sem alma". Para ela, os jogos são arte, criados por humanos com a tecnologia mais avançada disponível.

Sharma enfatizou que possui "tolerância zero com IA ruim" no desenvolvimento de games. Embora reconheça que a IA está presente na indústria há bastante tempo, ela ressalta que "grandes histórias são criadas por humanos".

Essa declaração surge em um contexto de debates acalorados na indústria sobre a utilização de ferramentas de IA generativa na produção de jogos. A diferença entre "IA ruim" e "tecnologia inovadora" que pode ser usada para desenvolver jogos artísticos é um tema central nas discussões atuais.

As mudanças na liderança acontecem em um momento desafiador para a marca Xbox, que tem enfrentado uma queda nas vendas de consoles. Com isso, a Microsoft está ajustando sua estratégia, abandonando a exclusividade em títulos de software e ampliando a marca Xbox para diversos dispositivos.

Bond, conforme fontes anônimas citadas pelo site The Verge, gerou tensões internas ao defender uma estratégia distinta da sugerida pela equipe de marketing. Além disso, a companhia perdeu executivos responsáveis pela publicidade em 2024.

O histórico de Sharma no Xbox é recente, com jogadores descobrindo sua Gamertag nas redes sociais. Ela compartilhou sua lista com os três melhores jogos de todos os tempos: Halo, Valheim e Goldeneye. Recentemente, ela expressou interesse em experimentar Borderlands 2, que apareceu em sua lista de jogos jogados.

A falta de experiência de Sharma na indústria contrasta com outros líderes, como Hiroshi Yamauchi, presidente da Nintendo, que não tinha interesse em videogames enquanto liderava o lançamento do Famicom e do Nintendo Entertainment System na década de 1980.

Mudanças na liderança executiva

Phil Spencer, que liderou a divisão de games da Microsoft por anos, deixou o cargo. Com décadas de experiência no setor, ele possui uma pontuação impressionante de mais de 121 mil pontos em jogos.

Sarah Bond, que atuou quase nove anos na Microsoft, estava sendo preparada para suceder Spencer. Matt Booty, um veterano do Xbox Game Studios com uma carreira que remonta aos anos 1990 na Williams Electronics, foi promovido a vice-presidente executivo e diretor de conteúdo do Xbox. Booty trabalhará em estreita colaboração com Sharma para garantir uma transição suave.

A discussão sobre o uso de inteligência artificial na indústria é polarizada. O estúdio Sandfall Interactive admitiu ter utilizado IA generativa em elementos de fundo em seu jogo Clair Obscur: Expedition 33, levando à revogação das honrarias da empresa pelo Indie Game Awards.

Os elementos gerados por IA foram removidos do jogo.

A publicadora Running with Scissors decidiu cancelar um novo título da série Postal após receber críticas negativas a um trailer que continha elementos supostamente gerados por IA, o que, segundo a empresa, prejudicou sua marca.

John Carmack defendeu o uso de ferramentas de IA no desenvolvimento, argumentando que elas permitem que os melhores alcancem novos patamares e possibilitam que equipes menores realizem mais.

Por outro lado, Tim Sweeney, fundador e CEO da Epic Games, afirmou que a divulgação do uso de ferramentas de IA por desenvolvedores é tão relevante quanto informar a marca de xampu que usam. Ele acredita que a IA fará parte praticamente de toda a produção de jogos no futuro.


← Voltar para as notícias