México reduz jornada de trabalho para 40 horas semanais, mas não veta 6x1: como está o debate na América Latina?
Redução da Jornada de Trabalho no México e Debate na América Latina
O Congresso mexicano aprovou, em 24 de fevereiro, uma emenda constitucional que estabelece a redução gradual da jornada de trabalho de 48 para 40 horas semanais. A nova legislação, que terá início em 2024, é apoiada pela presidente Claudia Sheinbaum e pela base governista, prevendo a implementação completa até 2030.
Essa mudança representa um avanço significativo para muitos trabalhadores, alinhando-se a uma tendência global de diminuição da carga horária. Atualmente, o Equador é o único país da América Latina que já adota essa jornada de 40 horas.
Dados da OCDE revelam que o México, como a segunda maior economia da região, enfrenta sérios problemas em termos de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, além de apresentar baixos índices de produtividade e salários.
A aprovação da nova lei foi celebrada pelo governo. O deputado Pedro Haces, coordenador sindical, destacou que a jornada de 48 horas estava em vigor há mais de um século e que essa era uma mudança necessária.
No entanto, a nova legislação gerou críticas, pois não incluiu a proposta de dois dias de descanso a cada cinco trabalhados, que estava prevista na proposta inicial. Ángel Castellanos, porta-voz da Frente Nacional pelas 40 Horas, lamentou a ausência dessa garantia.
Situação da Jornada de Trabalho na América Latina
Embora a jornada de 40 horas semanais esteja se consolidando em muitos países do hemisfério ocidental, ainda não é uma norma na América Latina. A maioria dos países da região mantém jornadas entre 44 e 46 horas, e muitos ainda exigem trabalho aos sábados.
A Organização Internacional do Trabalho recomenda um diálogo entre nações para promover jornadas que melhorem o equilíbrio trabalho-vida pessoal. O único país que já implementou um regime de 40 horas é o Equador, desde 1980.
No Chile, uma lei aprovada em abril de 2024 estabelece uma redução progressiva da jornada, começando de 48 para 44 horas, com o objetivo de atingir as 40 horas até 2028.
A Colômbia também está em fase de implementar sua própria redução, com a jornada caindo para 42 horas a partir de julho de 2023.
Outros países, como Guatemala, El Salvador e Brasil, permanecem com jornadas de 44 horas. No Brasil, o governo tem demonstrado apoio a projetos que visam modificar a escala 6x1, que atualmente exige que os trabalhadores trabalhem seis dias e tenham apenas um de descanso.
Debate sobre a Escala 6x1 no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a ideia de acabar com a jornada 6x1, citando a necessidade de dois dias de descanso por semana. Atualmente, dois Projetos de Emenda à Constituição estão em tramitação no Congresso, propondo a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, sem perda de salário.
Embora haja um forte apoio popular para a mudança, com quase 3 milhões de assinaturas em uma petição contra a escala 6x1, a discussão levanta preocupações sobre o impacto econômico da redução da jornada.
O modelo de trabalho de 48 horas ainda é predominante na América Latina, com países como Argentina, Peru, Bolívia e Uruguai mantendo essa carga horária.
Impacto Regional e Questões Trabalhistas
A recente decisão do México também reacende o debate sobre direitos trabalhistas na região. A média de dias de férias na América Latina é de apenas 15 dias, muito inferior à média de 25 dias na Europa. A informalidade no emprego também é uma preocupação, com taxas de cerca de 55% no México e 40% no Brasil e Argentina.
Enquanto a jornada de trabalho é revista em vários países, o México pode influenciar discussões sobre direitos trabalhistas e condições de trabalho na América Latina, refletindo a necessidade de um equilíbrio mais justo entre vida pessoal e profissional.
← Voltar para as notícias