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México: Quem é “El Mencho” e por que a morte dele causou tanta violência?

A morte de "El Mencho" e suas consequências no México

O falecimento do narcotraficante Nemésio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", provocou uma onda de violência sem precedentes no México, transformando o estado de Jalisco em um autêntico campo de batalha. Veículos queimados e lojas saqueadas são algumas das marcas deixadas pelo assassinato do líder do cartel Jalisco Nova Geração, considerado o mais poderoso do país desde a prisão de Joaquín "El Chapo" Guzmán em 2016, como destacou a correspondente Priscila Yazbek no videocast da CNN Brasil, Fora da Ordem.

Oseguera Cervantes, de 59 anos, foi morto em uma operação realizada pelo governo mexicano em colaboração com a inteligência americana. Ele estava entre os criminosos mais procurados do mundo, com uma recompensa de US$ 15 milhões oferecida pelos Estados Unidos por informações que levassem à sua captura. Nascido em 1966 no estado de Michoacán, "El Mencho" construiu uma trajetória no narcotráfico que o levou ao auge do crime organizado no México.

Trajetória e ascensão de "El Mencho"

Antes de se tornar o líder do cartel mais temido do México, "El Mencho" teve uma história peculiar no mundo do crime. Na década de 1990, ele se mudou para os Estados Unidos, onde se envolveu com o tráfico de drogas. Em 1994, foi condenado na Califórnia por conspiração para distribuir heroína, cumprindo três anos de prisão. Ao retornar ao México, chegou a atuar como policial no estado de Jalisco, mas rapidamente voltou a atividades ilícitas.

A ascensão de "El Mencho" no narcotráfico incluiu passagens como chefe de pistoleiros do cartel Milenio e supervisor de segurança do cartel de Sinaloa. O cartel Jalisco Nova Geração surgiu na década de 2010, aproveitando a fragmentação do cartel Milenio após a prisão de seu líder em 2009. A influência de "El Mencho" na organização aumentou após seu casamento com Rosalinda González Valencia, irmã do líder do cartel Los Cuinis, considerado o cérebro financeiro do Jalisco Nova Geração.

O impacto do cartel no tráfico internacional

Sob a liderança de "El Mencho", o cartel Jalisco Nova Geração expandiu suas atividades de forma significativa. Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, a organização é acusada de receber precursores químicos da China e é a principal responsável pelo fornecimento de fentanil ilícito para os Estados Unidos, contribuindo para a crise de opioides no país. O grupo movimenta bilhões de dólares com a venda de fentanil e tem ramificações em 40 países, incluindo nações nas Américas, Austrália, China e Sudeste Asiático.

Reação violenta e cenário de guerra

A resposta dos membros do cartel à morte de seu líder foi imediata e brutal. No dia do falecimento de "El Mencho", 22 de outubro, o pânico tomou conta de Guadalajara e outras cidades do estado de Jalisco, conforme relatado pela correspondente Luciana Taddeo. Os criminosos incendiaram veículos e obstruíram ruas para impedir a passagem da polícia, enquanto estabelecimentos comerciais, como postos de gasolina e lojas, foram incendiados e saqueados.

A violência rapidamente se espalhou, afetando cerca de 20 dos 32 estados mexicanos. Companhias aéreas cancelaram voos, empresas de ônibus suspenderam viagens, e turistas ficaram retidos em aeroportos. Embora a situação tenha começado a se normalizar na segunda-feira, 23 de outubro, com a retomada gradual dos serviços, a população permanece apreensiva, temendo novos episódios de violência.

Analistas alertam que a morte de "El Mencho" pode criar um vazio de poder e desencadear uma luta pelo controle da organização criminosa, o que pode resultar em novos focos de violência e confrontos entre líderes regionais do cartel. A população mexicana, já habituada a conviver com a violência do narcotráfico, enfrenta agora a incerteza sobre o futuro e a possibilidade de uma escalada da situação nos próximos dias.


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