México: Por que a morte de chefão do tráfico 'El Mencho' não vai acabar com a violência dos cartéis
Morte de 'El Mencho' e a Persistência da Violência no México
A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, ocorrida em 22 de fevereiro, representa um avanço significativo nos esforços do México para combater a influência de seus cartéis de drogas. No entanto, a questão que permanece é como isso afetará a organização criminosa que ele liderava.
Conhecido como "El Mencho", ele era o chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), que se consolidou como uma das mais poderosas e temidas organizações do país na última década. Sob seu comando, o CJNG expandiu suas atividades, envolvendo-se não apenas no tráfico de drogas, mas também em crimes como tráfico de pessoas e mineração ilegal.
A estrutura complexa do cartel sugere que a eliminação de seu líder não resultará em um colapso imediato. A professora Annette Idler, especialista em segurança global, destaca que, embora a morte de El Mencho tenha um simbolismo poderoso, não deve impactar significativamente o tráfico de drogas como um todo, pois a cadeia de suprimentos permanece intacta.
Históricos de cartéis demonstram resiliência. O cartel de Sinaloa, rival do CJNG, sobreviveu a várias prisões e fugas de seu líder, Joaquín Guzmán Loera, o El Chapo.
Os cartéis estão profundamente enraizados na sociedade mexicana, oferecendo oportunidades de emprego em muitas comunidades. A especialista em crime organizado, Jennifer Scotland, ressalta que essas organizações geralmente se preparam para a possibilidade de a morte ou captura de seus líderes, indicando que o CJNG pode já ter um plano de sucessão em vigor.
Após a morte de El Mencho, a cidade de Guadalajara enfrentou um aumento significativo na violência, com retaliações do cartel. Os ataques se espalharam por 20 estados, incluindo a Cidade do México, levantando preocupações sobre um agravamento da segurança no país.
O CJNG é conhecido por sua brutalidade e ataques direcionados a autoridades. Scotland observa que as retaliações incluem bloqueios de estradas e incêndios, típicas de grupos do crime organizado em resposta a ações do governo.
Além disso, a instabilidade interna no CJNG e a possibilidade de rivalidade com outros cartéis, como o de Sinaloa, podem gerar conflitos territoriais. A fraqueza percebida pode estimular grupos rivais a tentar assumir o controle de áreas disputadas.
A luta das autoridades mexicanas contra o crime organizado enfrenta desafios, especialmente com as forças de segurança focadas em operações contra o cartel de Sinaloa. A abordagem atual do governo, baseada na "decapitação" dos líderes, é questionada por Idler, que argumenta que essa estratégia não resolve a estrutura criminosa nem a demanda por drogas nos países ocidentais.
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