México: o resultado do descontrole no combate a organizações criminosas
Resultado do descontrole no combate a organizações criminosas no México
A relação entre o enfraquecimento do Estado e o crescimento da criminalidade é evidente, especialmente após a morte de um dos líderes do tráfico.
O México carrega um histórico de condescendência com cartéis como o CJNG, que impõem uma violência extrema e militarizada. A presidente Claudia Sheinbaum enfrenta o desafio de reverter essa situação e combater a ‘mexicanização’, um alerta para outros países da América Latina sobre a erosão do Estado de Direito.
A esquerda se depara com uma contradição: deseja um Estado forte em diversas áreas, mas falha em fortalecer as instituições policiais e no combate à criminalidade. Claudia Sheinbaum, representando essa corrente, tem a chance de mudar essa realidade, especialmente após a pressão internacional, como a exercida por Donald Trump em relação à Venezuela.
No entanto, a presidente lida com uma herança complexa, construída ao longo de décadas por governantes de diferentes espectros políticos que colaboraram com as organizações criminosas mais poderosas do mundo.
As reações violentas à morte de Nemesio Oseguera, conhecido como El Mencho, não são novidade, mas impressionam pela sua intensidade. Esses eventos, embora menores, têm paralelos em cidades brasileiras, onde a criminalidade também se manifesta em represálias.
A criminalidade abrange 25 dos 32 estados mexicanos, com incêndios e violência que afetam até o turismo, uma das principais fontes de renda do país, que se beneficia da proximidade com os Estados Unidos.
Os cartéis, alimentados pela demanda por drogas, operam com uma oferta vastíssima, desde a cocaína colombiana até o fentanil da China, que se tornou uma especialidade do CJNG. O México se vê à beira de se tornar um narcoestado, apesar de seu PIB per capita ser superior ao do Brasil.
A impunidade que permitiu a ascensão de El Mencho alimentou uma hiperviolência sem precedentes. Os métodos brutais incluem a decapitação de inimigos, a exibição de corpos em lugares públicos e o uso de ácido para eliminar vestígios de desaparecimentos.
A "fama" do CJNG cresceu em 2015, com uma emboscada mortal a policiais, e a gangue inovou com veículos blindados e drones armados, evidenciando a deterioração da autoridade estatal. A política de “abraços, não balaços” do antecessor de Sheinbaum, Andrés Manuel López Obrador, apenas intensificou o poder dos cartéis.
Com a mudança de postura de Donald Trump e a crescente aprovação pública de Claudia Sheinbaum, que varia entre 70% e 80%, a presidente começou a adotar uma abordagem mais rigorosa. Embora programas sociais continuem, o número de extradições para os EUA aumentou, incluindo a do filho de El Mencho. Isso demonstra a fragilidade das instituições mexicanas.
O dinheiro do tráfico contamina instituições já frágeis, corroendo o Estado de Direito, a democracia e as liberdades. A segurança pública se tornou uma preocupação central em toda a América Latina, alimentando um sentimento de abandono entre as populações.
O recado para os países que enfrentam o processo de “mexicanização” é claro: “Eu sou você amanhã”.
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