Mercados se preparam para forte aversão ao risco após ofensiva contra o Irã
01/03/2026 18h25
Atualizado 16 minutos atrás
Traders antecipam uma semana volátil nas bolsas globais, com forte aversão ao risco, após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. O foco se dirige para empresas de energia e defesa, que podem atuar como portos seguros em meio à expectativa de perdas nas aéreas e outros setores do consumo.
A movimentação nos mercados do Oriente Médio, durante o fim de semana, já sinalizou o que pode vir. O índice Tadawul All Share, da Arábia Saudita, caiu 2,2%, embora as perdas tenham sido atenuadas pela alta da gigante petrolífera Aramco. Já o principal índice do Egito recuou 2,5%.
As bolsas de Dubai e Abu Dhabi ficarão fechadas por dois dias, buscando evitar vendas em pânico após os ataques do Irã.
Com o petróleo subindo 10% no balcão, há a expectativa de que o preço chegue a US$ 100 por conta do conflito. A referência global alcançou US$ 73 por barril na sexta-feira, o maior valor desde julho.
“Os mercados acionários deverão se orientar pelos preços do petróleo, que serão o motor principal do movimento”, afirma Michael Kantrowitz, estrategista-chefe de investimentos da Piper Sandler & Co. “As ações estarão sob pressão até que o petróleo pare de subir.”
O conflito no Oriente Médio representa um novo fator de pressão nos preços de petróleo e gás, com alguns analistas prevendo que, ao reabrirem as negociações na noite de domingo, o petróleo possa aumentar entre 10% e 15%. Estrategistas esperam uma rotação para setores defensivos do mercado, como utilities e saúde, que tendem a ser mais estáveis durante turbulências econômicas. Em contrapartida, ações de crescimento e setores sensíveis ao ciclo econômico, como indústria e bancos, enfrentarão pressão.
A segunda-feira deve trazer “volatilidade e vendas em tecnologia e cíclicas, pois há um risco significativo de que o aumento nos preços de energia prejudique o crescimento”, afirma Matt Gertken, estrategista-chefe geopolítico da BCA Research. “Esperamos que defensivas e energia superem o mercado globalmente.”
Com a avaliação dos efeitos do conflito, setores a serem observados na abertura dos mercados na Ásia, Europa e Estados Unidos incluem o petróleo, que subiu ao maior nível desde julho, com as ações de energia nos EUA alcançando um recorde histórico. Exxon Mobil, Chevron, Shell, TotalEnergies, Repsol, BP, a australiana Woodside Energy, a PetroChina e a sul-coreana S-Oil devem continuar a registrar fortes ganhos.
“A questão é: qual será o impacto da resposta do Irã sobre a oferta global de petróleo — temporariamente e, talvez, a longo prazo?”, questiona Rob Thummel, gestor de portfólio da Tortoise Capital. Um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz poderia elevar os preços acima de US$ 100 por barril, embora o Irã tenha afirmado que não pretende fechar a passagem, responsável por cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo.
As ações de empresas de transporte de petróleo também podem se beneficiar, enquanto preços mais altos pressionam as margens de refinadoras como Marathon Petroleum e Valero Energy.
As ações de defesa já mostravam alta no último ano, e o novo conflito no Oriente Médio deve atrair mais traders para o setor. Investidores devem focar em grandes contratistas dos EUA, como Lockheed Martin e Northrop Grumman, além da europeia Rheinmetall e da sul-coreana Hanwha Systems.
“O mercado verá esse cenário como positivo para as ações de defesa europeias”, comenta Jens-Peter Rieck, analista da MWB Research, embora mudanças nas estimativas de lucro sejam guiadas mais por sentimentos do que por fundamentos.
A demanda por recursos militares pode se expandir para o Oriente Médio, segundo Sheila Kahyaoglu, da Jefferies. Empresas americanas do setor de defesa já capturam uma parte significativa de suas vendas externas na região.
Em períodos de incerteza geopolítica, investidores costumam buscar ativos de proteção, como ouro e prata, o que pode elevar os preços das mineradoras. Os preços dos metais preciosos, que já vinham em alta, começaram a subir nas semanas anteriores ao conflito.
Entre os papéis a serem monitorados estão Agnico Eagle Mines, Barrick Mining e Newmont na América do Norte; Fresnillo e Hochschild Mining na Europa; e Chifeng Jilong Gold Mining em Hong Kong. O índice canadense S&P/TSX Composite pode ter um desempenho superior, dada sua alta exposição a mineração e energia.
A alta do petróleo tende a elevar os custos de combustível das companhias aéreas e comprimir margens, enquanto o conflito desorganiza o fluxo global de viagens. As ações aéreas dos EUA tiveram na sexta-feira a maior queda desde abril. Companhias do Golfo Pérsico ampliaram a suspensão de operações, afetando a delicada “coreografia” dos voos internacionais.
Investidores devem observar papéis como American Airlines, Delta, Lufthansa, Singapore Airlines e Qantas.
“O impacto imediato será sobre as ações das companhias aéreas e do setor de viagens, com notícias de fechamento de espaços aéreos no Oriente Médio e possíveis cancelamentos de voos”, afirma Francis Tan, estrategista-chefe na CA Indosuez Wealth Asset Management.
Cada variação de 5% na estimativa de preço do combustível em 2026 pode impactar em 5% a 10% o lucro por ação de Delta e United Airlines, enquanto para American isso representa um impacto de 35%. Apesar disso, as aéreas norte-americanas têm exposição direta mínima ao tráfego para o Oriente Médio.
Operadoras de hotéis podem ser prejudicadas por interrupções nas viagens e pela menor demanda. A InterContinental Hotels opera mais de 100 hotéis na região, e suas ações caíram 3% em Londres.
O fechamento do espaço aéreo no Oriente Médio também pode afetar as margens de empresas de frete como FedEx, UPS e DHL, devido ao aumento nos custos de combustível. Por outro lado, gargalos no transporte pelo mar Vermelho e pelo Canal de Suez podem permitir que armadores de contêineres, como a Maersk, aumentem os preços de frete.
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