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Mercado terá semana volátil após guerra com Irã, dizem analistas

Mercado terá semana volátil após guerra com o Irã, dizem analistas

A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Israel com o Irã deve impactar a economia global, gerando volatilidade nos mercados, conforme apontam especialistas consultados pelo CNN Money.

O cenário de incertezas no Oriente Médio provoca uma maior tensão no mercado financeiro, levando investidores a adotar uma postura de aversão ao risco. Isso resulta em uma migração de capitais para ativos considerados mais seguros.

Cesar Queiroz, CEO da Queiroz Investimentos, afirma que a situação representa um ponto de inflexão para os mercados.

"Na prática, ocorre uma reprecificação do risco, com as bolsas sentindo isso primeiro, resultando em maior volatilidade e pressão negativa nos principais índices", explica.

Com relação aos preços do petróleo e gás, as expectativas são de que a gasolina e o diesel possam sofrer altas.

No Brasil, Queiroz projeta uma queda do Ibovespa e uma valorização do dólar, especialmente se houver redução na oferta de moeda e saída expressiva de capitais estrangeiros. Ele ressalta que o mercado brasileiro fica mais vulnerável a fatores externos em períodos de estresse global.

Nesse contexto, o dólar tende a se fortalecer, mesmo em um momento recente de desvalorização.

"Em cenários de instabilidade global, essa trajetória costuma se inverter. O investidor busca proteção, e o dólar continua sendo um dos principais refúgios", avalia.

A expectativa é que o dólar inicie a semana em alta em relação ao real, segundo Berenice Damke, especialista em gestão de riscos financeiros e sócia da Damke Consultoria e Treinamento.

"O câmbio pode voltar ao patamar de R$ 5,20 devido à aversão ao risco e ao fluxo de saída de capitais, que tendem a buscar 'portos mais seguros', como os Treasuries americanos", afirma.

Damke também aponta que, mesmo em um ambiente de incertezas, os juros elevados no Brasil ainda favorecem o carry trade, que atraiu um fluxo significativo de capital estrangeiro nos últimos meses. "Isso pode mitigar uma possível alta do dólar nesse cenário de estresse", diz.

Enquanto alguns analistas indicam que o dólar deve se valorizar no curto prazo, outros acreditam que essa alta não será sustentada a longo prazo.

Emerson Junior, head de câmbio na Convexa Investimentos, explica que o mundo está se desfazendo de dólar para reduzir a dependência dos Estados Unidos.

"No curto prazo, pode haver um aumento no dólar, à medida que a ideia inicial de conflito traz alguma proteção. Contudo, à medida que isso se prolonga, investidores de longo prazo podem aproveitar uma cotação favorável para se desfazer da moeda", observa.

Outro fator crucial nesse cenário é o petróleo. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, crucial para a produção internacional.

Se essa rota permanecer fechada por um período prolongado, o impacto na economia global pode ser profundo, afetando inflação, crescimento e estabilidade financeira.

Qualquer interrupção significativa pode provocar um choque imediato nos preços do petróleo e, consequentemente, no dólar. Os contratos futuros de petróleo já dispararam nas primeiras negociações desde que os ataques começaram no fim de semana.

"Hoje, a maior parte do petróleo é vendida em dólar. Quando há uma crise com o Irã, um grande produtor, os preços tendem a subir, levando a um aumento natural na posição em dólar", analisa Junior, justificando a valorização da moeda norte-americana no curto prazo.

No último sábado (28), Estados Unidos e Israel iniciaram uma ofensiva contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O regime iraniano começou a retaliar países do Oriente Médio que possuem bases militares norte-americanas, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia iraniana anunciou que o líder supremo, Ali Khamenei, foi uma das vítimas dos ataques. Após a confirmação da morte, o Irã ameaçou realizar a "ofensiva mais pesada" de sua história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que se vingar dos ataques é um "direito e dever legítimo".

Em resposta, Donald Trump alertou o Irã contra ações retaliatórias, afirmando que "é melhor que eles não façam isso, pois, se o fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista". As hostilidades entre as partes continuam nesta segunda-feira (2).

Trump declarou que os ataques prosseguirão até que os objetivos dos Estados Unidos sejam alcançados, sem especificar quais são.


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