Mercado de smartphones deve sofrer maior baque de sua história, diz IDC
Mercado de smartphones enfrenta a maior retração da história, aponta IDC
O setor global de smartphones se prepara para uma queda significativa em 2026, conforme aponta a consultoria IDC. A previsão é que essa diminuição seja impulsionada pela chamada “crise da memória”, resultante da escassez de chips de memória RAM essenciais para a produção dos dispositivos.
De acordo com as estimativas da IDC, as fabricantes deverão comercializar cerca de 1,1 bilhão de smartphones em 2026, representando uma queda de 12,9% em comparação ao ano anterior. A consultoria acredita que a recuperação do mercado não deverá ocorrer antes de meados de 2027, com um leve crescimento de 2% projetado para o próximo ano. Para 2028, a expectativa é mais otimista, com um aumento de 5,2% nas vendas.
A crise deve afetar principalmente os smartphones Android de baixo custo, enquanto empresas como Apple e Samsung devem sentir menos impacto devido ao seu forte posicionamento no segmento premium.
Os chips de memória RAM são fundamentais para o armazenamento temporário de dados em dispositivos. Ao abrir um aplicativo, é a RAM que permite que as informações necessárias sejam acessadas rapidamente. Embora sejam mais associados a smartphones e computadores, esses chips também estão presentes em diversos produtos, como smart TVs, tablets, console de videogame, relógios inteligentes, aspiradores robô, carros e impressoras.
Recentemente, a oferta de chips de memória tem diminuído, uma vez que os fabricantes estão redirecionando seus investimentos para a produção de componentes mais avançados, voltados para data centers de inteligência artificial. Essa mudança tem reduzido a disponibilidade de chips para eletrônicos de consumo, como smartphones.
Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da IDC, destaca que a crise não será apenas uma queda temporária, mas poderá gerar uma transformação estrutural no setor. Em suas palavras, “as tarifas e a crise da pandemia parecem uma piada em comparação a isso. O mercado de smartphones testemunhará uma mudança sísmica até o fim desta crise.”
Com a diminuição da oferta, os preços dos chips de processamento e armazenamento aumentaram, o que pressiona as margens de lucro das fabricantes. A IDC projeta que o preço médio dos smartphones subirá 14% em 2026, refletindo uma mudança nas estratégias das empresas, que devem priorizar aparelhos que garantam margens de lucro mais elevadas.
A combinação de escassez de componentes, aumento de preços e revisão das estratégias comerciais promete criar um período de intensa turbulência para a indústria global de smartphones nos próximos anos.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e atualmente trabalha como redator no Olhar Digital.
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