Narcotraficante

Medo e incerteza dominam Guadalajara após a morte do narcotraficante ‘El Mencho’

Medo e Incerteza em Guadalajara Após a Morte de ‘El Mencho’

A morte de “El Mencho”, líder do CJNG, resultou em uma onda de violência em Guadalajara e em 20 outros estados do México.

Embora a cidade tenha retornado à normalidade, o temor e as incertezas sobre possíveis retaliações ainda persistem.

A violência afetou áreas turísticas e levantou dúvidas sobre a segurança de Guadalajara como sede da Copa do Mundo.

Governantes locais enfrentam críticas por priorizarem eventos esportivos em vez de abordarem a grave questão da segurança pública.

No domingo, 22 de fevereiro, os telefones em Guadalajara não paravam de vibrar.

Em grupos de WhatsApp e chats familiares, misturavam-se dados confirmados, rumores e medo, acompanhados de advertências: “Não saiam”, “Há bloqueios”, “Estão queimando carros”.

Imagens de veículos em chamas e avisos sobre estradas fechadas se espalhavam rapidamente. Ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo, mas todos intuíam a gravidade da situação.

Após a confirmação da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, a SEDENA (Secretaria da Defesa do México) informou que o líder do cartel morreu durante uma transferência em um helicóptero após uma operação militar em Tapalpa, Jalisco.

Passados mais de sete dias desde o incidente, o trânsito e as atividades comerciais voltaram ao normal em Guadalajara, mas a sensação de medo não desapareceu.

Para muitos, a violência do domingo não foi apenas uma reação à operação militar que resultou na morte do líder do cartel, mas uma advertência de um possível rearranjo interno, disputas de poder e uma nova onda de violência.

José Luis Tapia, proprietário de um Airbnb, revelou que foi alertado por uma hóspede alemã sobre relatos de violência. Ele inicialmente pensou que os bloqueios estivessem distantes da cidade.

“Bloqueios” é o termo utilizado para descrever o fechamento de avenidas por homens armados que se identificam como membros do crime organizado.

As autoridades registraram pelo menos 65 bloqueios em Jalisco durante a jornada de caos que se seguiu à morte de El Mencho.

Comércios como as lojas Oxxo foram alvo de ataques, e Tapia presenciou uma pessoa colocando um cartaz oferecendo comida para quem precisasse.

Ele se mudou para Guadalajara em 2018 e afirmou que nunca sentira tanto medo na Cidade do México.

B. G., uma comerciante que pediu anonimato, mudou-se para Guadalajara vinda de Reynosa, buscando segurança para sua família. Ela relatou ter deixado sua cidade natal quando descobriu que um amigo de seu filho era filho de um suposto membro do crime organizado.

A explosão de violência no domingo mostrou o alcance do CJNG em todo o país: barricadas e bloqueios afetaram 20 dos 32 estados.

Autoridades insistem que a situação está sob controle nas áreas mais afetadas. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que a paz e a segurança permanecem no país.

Enquanto isso, o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, declarou que o centro de comando estaria atento a qualquer tipo de reação do cartel.

A seleção do México jogará em Guadalajara, e a cidade receberá cerca de 3 milhões de turistas durante a Copa do Mundo.

Porém, a violência gerou dúvidas sobre a capacidade de Guadalajara de manter sua posição como sede do evento.

José Luis Tapia ressaltou que o ocorrido expôs uma realidade intolerável e que os governantes parecem mais preocupados com a Copa do Mundo do que com a segurança pública.


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