'Me recebeu de braços abertos', diz Ney Matogrosso sobre Brasília
Ney Matogrosso tem uma conexão especial com Brasília, que começou quando a cidade ainda era considerada "a nova capital" e ele tinha apenas 20 anos. Em 1961, Ney de Souza Pereira chegou ao Planalto Central, acomodando-se no apartamento de um primo na Asa Sul. Durante seu trabalho no Hospital de Base, começou a explorar a música, se apresentando em bares e no Coral Madrigal de Brasília, sob a regência de Levino de Alcântara. Após algumas idas e vindas, ele deixou a cidade em 1970, mas nunca esqueceu o papel fundamental que Brasília teve em sua formação artística. Neste sábado (28/2), o cantor retorna ao Ulysses Centro de Convenções para uma apresentação única do espetáculo Bloco na rua, às 21h.
"Eu tenho o maior prazer de voltar a cantar em Brasília", afirma Ney Matogrosso, ressaltando que a cidade sempre o recebeu de braços abertos desde o início de sua carreira. No Planalto Central, ele se apresentou com o Secos & Molhados e lançou sua carreira solo com o show Homem de Neanderthal. Desde então, a capital se tornou um destino frequente em suas turnês.
Desde 2019, Bloco na rua tem sido um dos espetáculos mais recorrentes de Ney na cidade, com sua última apresentação em junho do ano passado, que teve os ingressos esgotados. Contudo, a apresentação de hoje não será a mesma de sete anos atrás. "Da metade para frente da turnê, o show já não era o mesmo", destaca o artista. As mudanças no repertório são uma forma de manter seu próprio interesse, explica Ney.
Entre as novidades, o cantor incluiu Mesmo que seja eu, de Erasmo Carlos, no lugar de Ex-amor, de Martinho da Vila. "Coloquei algumas músicas que não são novas, mas que são novidade na minha boca", diz ele. Além disso, ele promete trazer releituras como Jardins da Babilônia, de Rita Lee, e Eu quero é botar o bloco na rua, de Sérgio Sampaio, além de revisitar clássicos como O vira e Sangue latino, do Secos & Molhados.
Sobre a cidade, Ney reflete: "Eu tinha muitos amigos em Brasília, mas muitos já não estão mais aqui. Sinto como se chegasse a um lugar desconhecido". Apesar disso, ele sempre se sente bem-vindo e entusiasmado para se apresentar.
Quando perguntado sobre a vida na estrada, Ney revela que ainda adora viajar e trabalhar. No entanto, ele pretende adotar uma rotina mais tranquila, evitando a exaustão que sentiu no ano anterior.
A renovação do público em seus shows tem sido notável, com a presença de muitos adolescentes e crianças, algo que Ney vê como positivo, mesmo que não esteja diretamente ligado ao seu recente filme, Homem com H.
Sobre sua rebeldia, Ney se considera fiel a si mesmo, afirmando que sempre faz o que deseja, sem se submeter a modismos. Essa liberdade é, segundo ele, uma das razões para seu sucesso e longevidade na carreira.
Ney também se destaca por sua abertura em compartilhar aspectos de sua vida pessoal, abordando temas delicados como sua relação com seu pai e as perdas que sofreu ao longo dos anos. Ele acredita que é importante falar a verdade, independentemente da censura.
Recentemente, o cantor foi homenageado em várias ocasiões, incluindo o desfile da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Ney se sente satisfeito com o reconhecimento, embora nunca tenha buscado ser visto como uma figura importante na música.
A apresentação deste sábado no Ulysses Centro de Convenções promete ser uma celebração do talento e da trajetória de Ney Matogrosso. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Bilheteria Digital e em lojas como Barbearia Elvis e Koni, com preços a partir de R$ 280 (meia-entrada).
Classificação indicativa: 14 anos.
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