presidente do PL

‘Me puxa’, ‘é do Valdemar’ e ‘ligar para Tarcísio’: as anotações de Flávio sobre o PL

Anotações de Flávio Bolsonaro Revelam Estratégias do PL

25/02/2026 15h44

Atualizado 12 minutos atrás

Registros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante reuniões na sede do partido indicam uma estratégia do PL para minimizar a influência do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), na disputa pela sucessão estadual. Simões, escolhido pelo governador Romeu Zema como seu sucessor, é descrito nos apontamentos como alguém que “puxa para baixo” o projeto presidencial do grupo, evidenciando preocupações sobre como o desempenho no estado impactará a campanha nacional, especialmente em um cenário considerado crucial para a corrida ao Planalto.

Em relação à composição para o Senado, Flávio mencionou que o ex-presidente Jair Bolsonaro já definiu indicações do PL em alguns estados, enquanto a decisão em São Paulo será postergada.

O material, intitulado “situação nos estados”, ao qual O Globo teve acesso, apresenta um panorama das articulações em várias regiões e destaca a movimentação para indicar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), como substituto de Felício Ramuth (PSD), atual vice de Tarcísio de Freitas. Flávio ressaltou que os registros não necessariamente refletem sua opinião pessoal, mas sim “sugestões” discutidas nas reuniões.

No que diz respeito a Minas, a frase “me puxa para baixo” é associada a Simões. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, é considerado uma alternativa, pois mantém diálogo com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), uma figura importante do bolsonarismo no estado. Roscoe é visto como alguém que pode atrair apoio do empresariado e fortalecer alianças fora do núcleo ideológico.

Minas Gerais desempenha um papel fundamental no cálculo eleitoral, sendo o segundo maior colégio eleitoral do país e um termômetro para a disputa nacional. O cenário local tende a se alinhavar com a política nacional em 2026, com o senador Rodrigo Pacheco (PSD) aparecendo como possível candidato ao governo mineiro, apoiado pelo presidente Lula, enquanto Cleitinho (Republicanos) se mostra competitivo no segmento conservador. Nesse contexto, os registros indicam apreensão sobre a escolha de um candidato considerado menos competitivo, o que poderia prejudicar o palanque presidencial no estado.

As anotações também revelam uma possível tensão com Zema, que já manifestou apoio a Simões. Ao sugerir uma alternativa ligada ao setor produtivo e com articulações com Nikolas, o PL demonstra uma intenção clara de influenciar a escolha do candidato em Minas, em vez de simplesmente apoiar a decisão do governador.

Em São Paulo, a menção a André do Prado surge em um momento de desgaste político para Ramuth, após revelações sobre movimentações financeiras. Ramuth, ex-prefeito de São José dos Campos e vice de Tarcísio, enfrenta críticas que podem comprometer sua permanência na chapa. Esse cenário abre espaço para uma pressão interna no PL pela troca do vice, visando aumentar a influência da legenda no principal colégio eleitoral do país. André do Prado, deputado estadual e aliado de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, é considerado uma escolha que pode garantir maior controle do partido sobre o palanque paulista, crucial para a candidatura presidencial bolsonarista.

Em outra anotação, ao lado do nome do deputado Marcos Pollon (PL-MS), está escrito: “pediu 15 mi p/ não ser candidato”. Pollon negou ter feito tal solicitação. Essa anotação aparece em meio a discussões sobre pesquisas e viabilidade local, indicando que a direção nacional está atenta a disputas consideradas estratégicas.

Procurado, Flávio confirmou que as anotações foram feitas por ele durante as reuniões e que não representam decisões definitivas.

— Ontem eu tive várias reuniões sobre diversos estados e fiz anotações. Em algum momento, alguém tirou foto dessas anotações, mas não são opiniões minhas, são sugestões de pessoas — esclareceu.

Ele também contestou a anotação referente a Pollon:

— Uma pessoa que conversou comigo mencionou que ele pediu R$ 15 milhões, mas isso nunca aconteceu.

Na coletiva realizada na véspera, Flávio afirmou que as composições estaduais estão sendo discutidas “há mais de um ano” e que nenhuma decisão será divulgada sem a aprovação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o PL pode lançar até 11 candidaturas próprias aos governos estaduais e, ao contrário de 2022, haverá maior envolvimento da direção nacional na definição dos palanques.

— Em 2022, o presidente não se envolveu em grande parte das composições. Este ano está sendo diferente — concluiu.


← Voltar para as notícias