'Matar um leão por dia': a trajetória da primeira mulher a apitar um jogo de Copa do Mundo
Matar um leão por dia: a trajetória da primeira mulher a apitar um jogo de Copa do Mundo
No mundo do futebol, as mulheres enfrentam desafios insuficientemente reconhecidos. A história de matar um leão por dia é um lembrete disso. Cláudia Guedes, uma das pioneiras na arbitragem do futebol feminino, compartilha sua trajetória para alcançar o sonho.
Um sonho nasceu no Rio de Janeiro
Cláudia Guedes nasceu em 1957, quando a arbitragem do futebol feminino ainda era um sonho nas mãos dos homens. No entanto, ela não se arrepiou. Em 1983, ela se inscreveu no primeiro curso de arbitragem para mulheres da Associação de Árbitros de Futebol do Rio de Janeiro. Era 1983. Naquele mesmo ano, o futebol feminino havia sido regulamentado e legalizado depois de quase quatro décadas de proibição.
"Os homens não queriam apitar o futebol feminino. Então, alguém teve a brilhante ideia de fazer um curso para a formação de mulheres, para apitar jogos de mulheres. Foram formadas 59 árbitras", contou Cláudia, em entrevista exclusiva à ESPN.
A luta para superar preconceitos
Cláudia conta que na época, as mulheres daquela época já declararam que a luta para superar preconceitos contra o futebol feminino era difícil. "Os homens não queriam apitar o futebol feminino. Então, alguém teve a brilhante ideia de fazer um curso para a formação de mulheres, para apitar jogos de mulheres. Foram formadas 59 árbitras".
"Eu e mais duas ou três mulheres começamos a nos destacar no curso e nos treinos, nos jogos que fazíamos. Isso causou um certo problema na Federação, porque eu comecei a reclamar. Sempre cobrando, cobrando e cobrando que a gente tivesse uma carreira igual aos homens", seguiu.
A primeira árbitra a apitar em Copa do Mundo
Em 1991, a Fifa organizou a primeira Copa do Mundo de futebol feminino. A arbitragem das partidas seria feita por homens, mas foram selecionadas seis mulheres para trabalharem como bandeirinhas. Foram chamadas uma mexicana, uma alemã, uma neozelandesa, uma sueca e uma chinesa. No meio delas, uma brasileira: Cláudia Guedes.
Um marco na história
Cláudia foi a primeira árbitra a apitar em uma Copa do Mundo. Em 1991, ela foi escalada para bandeirar a abertura da competição. O árbitro era o chileno Salvador Imperatore. "Eu fui escalada para bandeirar a abertura da competição. O árbitro era o chileno Salvador Imperatore. Eu e a mexicana levantávamos a bandeirinha e ele não apitava. Acho que faltava confiança. Reclamei muito no intervalo. Para a nossa surpresa, no dia seguinte, em reunião com a Fifa, nos disseram que estavavamos certas em todos os lances que ele não apitou. Aquilo foi uma vitória para a gente", contou.
A luta continua
Cláudia seguiu na arbitragem até 2000, quando decidiu pendurar o apito, aos 37 anos, após embates com a Comissão Nacional de Arbitragem pelas poucas oportunidades de apitar na elite do futebol masculino brasileiro. "Não foi fácil, eu enfrentei muitos desafios, muitos homens, muitas reações negativas. Mas eu não desistiu", concluiu.
"É um sonho que ainda não chegou, mas eu estou orgulhosa de ter feito o que fiz", respondeu Cláudia.
A história de Cláudia Guedes é um lembrete de que a luta continua para superar preconceitos no futebol feminino. Mas ela também é um exemplo de que, com determinação e esforço, é possível alcançar o sonho.
← Voltar para as notícias