Marcos Rogério

Marcos Rogério questiona pedido de extradição de Tagliaferro

Marcos Rogério critica pedido de extradição de Tagliaferro

Da Agência Senado |
01/09/2025, 17h08

O senador Marcos Rogério (PL-RO) levantou questões sobre o pedido de extradição de Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante pronunciamento no Plenário na segunda-feira (1º). Ele destacou preocupações relacionadas à imparcialidade e possíveis motivações políticas por trás do pedido. Tagliaferro enfrenta acusações de ter vazado informações do gabinete da presidência do TSE durante a gestão do ministro Alexandre de Moraes (2022-2024). O senador enfatizou que o caso deve ser analisado à luz do devido processo legal e do tratado de extradição entre Brasil e Itália.

O senador afirmou: "O ministro Alexandre de Moraes, nesse contexto, é não apenas uma vítima direta das revelações, mas também o responsável pelo pedido de extradição e pela condução do processo. Em qualquer sistema republicano, é inaceitável que alguém seja ao mesmo tempo parte interessada e juiz do próprio caso. O Código de Processo Civil e o Código de Processo Penal brasileiros deixam claro esse impedimento. O juiz que tem interesse na causa não pode participar do processo. Esse é um princípio fundamental do direito."

Marcos Rogério também mencionou que as chamadas "vaza toga" trouxeram à tona informações de interesse público e questionou se a abordagem ao ex-servidor não serviria como um método de intimidação para futuros denunciantes. Ele comparou a situação a outros casos de divulgação de conversas privadas que não resultaram em punições.

"Quando é conveniente, o vazamento é aceito; quando afeta adversários, é tolerado; mas quando expõe o próprio sistema, então é considerado crime. Estamos diante de uma situação absurda. Isso não é justiça, é seletividade, é a quebra do sistema acusatório. Trata-se da prática de dois pesos e duas medidas, e essa incoerência mina a confiança no Judiciário. O Brasil precisa mostrar que não teme a verdade e que não confunde denúncia legítima com crime político. O futuro das nossas liberdades depende dessa distinção, desse zelo e desse cuidado", concluiu o senador.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)


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