Marcos do Val com tornozeleira eletrônica: as acusações contra senador
Senador Marcos do Val com tornozeleira eletrônica: detalhes das acusações
O senador Marcos do Val (Podemos-ES) começa a ser monitorado com uma tornozeleira eletrônica a partir desta segunda-feira, 4 de agosto, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na sua decisão, Moraes impôs novas medidas cautelares ao senador, que desrespeitou a proibição de viajar para fora do país. Do Val esteve em Orlando, nos Estados Unidos, por um período de 10 dias, retornando nesta segunda-feira. Ao desembarcar no aeroporto de Brasília, ele foi abordado pela Polícia Federal (PF).
Desde agosto de 2022, o senador estava impedido de sair do Brasil, quando teve seus passaportes apreendidos e teve R$ 50 milhões bloqueados em sua conta.
Ele é alvo de um inquérito por supostamente orquestrar uma campanha de ofensas contra o STF e delegados da PF.
De acordo com a decisão de Moraes, Do Val deixou o Brasil em 23 de julho através de Manaus, com destino a Miami. Na mesma ocasião, o ministro ordenou o uso da tornozeleira eletrônica e medidas de recolhimento domiciliar durante a semana e integralmente nos fins de semana.
O ofício menciona que o senador utilizou um passaporte diplomático, que não foi confiscado em agosto de 2022, para realizar a viagem.
O senador havia solicitado ao STF permissão para viajar com a família a Orlando em 15 de julho, mas o pedido foi negado. Moraes alegou que não havia justificativa para revogar as medidas cautelares, pois a investigação continua.
Em um vídeo gravado em Orlando, Do Val afirmou que não tinha "motivos para fugir" e que informou ao STF sobre sua viagem. Ele defendeu que não estava agindo de forma ilegal e comunicou diversas autoridades sobre seu deslocamento.
Moraes justificou a adoção das novas medidas devido ao desrespeito contínuo por parte do senador, o que resultou no bloqueio de todas as suas contas bancárias, salário e verbas de gabinete.
O magistrado determinou também o cancelamento e devolução do passaporte diplomático, além de reafirmar a proibição do uso de redes sociais, tanto diretamente quanto por intermediários.
Marcos do Val tem um histórico de polêmicas. Em fevereiro de 2023, ele revelou que o ex-presidente Jair Bolsonaro tentou coagi-lo a participar de um golpe de Estado, relatando que Bolsonaro o procurou em 9 de dezembro de 2022 com a proposta de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Após a repercussão do episódio, o senador anunciou sua renúncia ao cargo, mas logo voltou atrás, alegando que a decisão foi tomada em um momento de raiva.
Em junho de 2023, Do Val compartilhou trechos de relatórios sigilosos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em suas redes sociais, afirmando que os documentos revelavam irregularidades cometidas por ministros e pelo presidente Lula, ligando isso à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Antidemocráticos, da qual ele é membro.
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