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Março Amarelo alerta para diagnóstico tardio da endometriose

A dor menstrual intensa ainda é muitas vezes considerada um aspecto normal da vida feminina. Essa visão distorcida retarda o diagnóstico da endometriose, uma condição inflamatória crônica que pode afetar diversos órgãos pélvicos, levando anos até que as pacientes recebam o tratamento adequado.

Muitas mulheres passam por consultórios médicos, atendimentos de emergência e pronto-socorros antes de obter uma orientação eficaz. A crença de que se trata apenas de cólicas comuns atrasa a investigação e prolonga o sofrimento. Dor incapacitante é um sinal de alerta que merece avaliação.

A cólica menstrual habitual é previsível, responde a analgésicos simples e não impede atividades diárias. Na endometriose, a situação é diferente. A dor pode se intensificar ao longo do tempo, resultar em faltas no trabalho ou na escola, surgir durante relações sexuais e manifestar-se ao evacuar ou urinar, especialmente durante o período menstrual. Outros sintomas incluem distensão abdominal, alterações intestinais ou urinárias cíclicas e, em alguns casos, sangramento anormal.

Quando esses sintomas se tornam frequentes ou se intensificam, é crucial buscar uma investigação especializada. O atraso no diagnóstico não apenas impacta a qualidade de vida, mas também pode aumentar a ansiedade e afetar a fertilidade.

Impactos silenciosos na qualidade de vida

A endometriose vai além da dor pélvica, podendo afetar relacionamentos, desempenho profissional, sono, humor e vida sexual. Em formas mais severas, a doença pode atingir o intestino, bexiga e estruturas nervosas, gerando sintomas complexos frequentemente confundidos com outras condições.

Para muitas pacientes, a infertilidade é o primeiro sinal da doença. Mesmo que o desejo de engravidar não seja imediato, a preservação da saúde reprodutiva é essencial. A dor recorrente também pode resultar em isolamento social e diminuição das atividades físicas e profissionais.

Diagnóstico baseado em escuta e precisão

O diagnóstico inicial deve incluir uma escuta qualificada e uma avaliação clínica minuciosa. Um exame físico direcionado e um histórico clínico bem elaborado orientam a solicitação de exames de imagem adequados. Ultrassonografia com mapeamento específico e protocolos de ressonância magnética são fundamentais para identificar a extensão da doença e planejar o tratamento.

Nos últimos anos, o Brasil fez progressos significativos na padronização de protocolos e na colaboração entre equipes clínicas, de imagem e cirúrgicas, o que aumentou a precisão diagnóstica e minimizou condutas baseadas apenas em suspeitas.

Tratamento individualizado e abordagem multidisciplinar

O tratamento da endometriose varia conforme a gravidade dos sintomas, a extensão da doença e os planos reprodutivos da paciente. Muitas vezes, uma abordagem clínica que inclui controle da dor, terapia hormonal, fisioterapia pélvica e ajustes no estilo de vida é suficiente para estabilizar o quadro.

Caso a doença seja profunda, ocorra obstruções ou haja falha no tratamento clínico, a cirurgia minimamente invasiva pode ser necessária, desde que realizada por uma equipe experiente e dentro de uma linha de cuidado que inclua preparação e acompanhamento. A tendência atual favorece decisões compartilhadas, metas claras e uma abordagem multidisciplinar.

Reconhecimento precoce muda o curso da doença

A endometriose requer reconhecimento precoce, acompanhamento contínuo e avaliação de resultados. O avanço tecnológico tem ampliado as possibilidades diagnósticas, mas a mudança cultural é fundamental. É essencial levar a dor a sério, combater a desinformação e garantir acesso a equipes capacitadas. Essas medidas são cruciais para reduzir o tempo até o diagnóstico e melhorar a qualidade de vida das pacientes.

*Texto escrito pelo ginecologista e obstetra Maurício Simões Abrão (CRM 52842 | RQE 61894), head nacional da Brazil Health.*


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