Mapeamento inédito “enxerga” força invisível que segura a Via Láctea
Mapeamento inédito revela força invisível que sustenta a Via Láctea
Uma força invisível atua nas profundezas da Via Láctea, sustentando a estrutura galáctica por meio do campo magnético. Pesquisadores criaram um dos mapas mais detalhados dessa configuração oculta, revelando reviravoltas que desafiam nosso entendimento sobre a galáxia.
"Sem um campo magnético, a galáxia colapsaria sobre si mesma devido à gravidade", afirma Dra. Jo-Anne Brown, professora do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Calgary.
De acordo com a cientista, entender a forma atual desse campo é crucial para que astrônomos desenvolvam modelos precisos e prevejam a evolução futura da Via Láctea.
A anomalia descoberta, detalhada em dois novos estudos nas revistas científicas The Astrophysical Journal e The Astrophysical Journal Supplement Series, foca em uma região do espaço conhecida como Braço de Sagitário.
Se a Via Láctea fosse observada de cima, notaríamos que a maior parte de seu campo magnético flui no sentido horário. Porém, no Braço de Sagitário, essa direção se inverte, passando a ser anti-horária. O grande desafio para os pesquisadores era entender como essa transição ocorre no espaço.
A resposta veio com uma descoberta surpreendente: uma reversão magnética dramática que acontece de forma diagonal. "Um dia, Anna Ordog trouxe alguns dados e eu reagi: 'Meu Deus, a reversão é diagonal!'", relata Dra. Brown.
Como os cientistas mapearam essa estrutura invisível?
Para mapear essa estrutura, a equipe utilizou um novo radiotelescópio no Dominion Radio Astrophysical Observatory, no Canadá. O equipamento varreu o céu do hemisfério norte, captando diversas frequências de rádio. Essa pesquisa faz parte do projeto GMIMS (Pesquisa Global do Meio Magneto-Iônico), que visa investigar o magnetismo da Via Láctea.
A técnica utilizada para rastrear essas forças no espaço baseia-se na medição do fenômeno conhecido como Rotação de Faraday.
Rebecca Booth, doutoranda e líder do segundo estudo, explica o processo com uma analogia: "Você pode pensar nisso como refração. Um canudo em um copo de água parece torto por causa da interação da luz com a matéria. A rotação de Faraday é semelhante, mas envolve elétrons e campos magnéticos no espaço interagindo com ondas de rádio".
Por meio da análise das sutis mudanças na trajetória das ondas de rádio, a equipe conseguiu mapear a organização do campo magnético em vastas extensões da galáxia.
Com essas informações, Booth elaborou um modelo tridimensional inédito para explicar a reversão. Segundo a pesquisadora, da perspectiva da Terra, essa transição espacial aparece exatamente como a linha diagonal observada nos novos dados.
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