Mapa de Risco: Caso Lulinha amplia pressão sobre Lula em meio a queda nas pesquisas
Caso Lulinha gera pressão sobre Lula em meio a queda nas pesquisas
27/02/2026 08h02
Atualizado 9 minutos atrás
A aprovação da quebra de sigilo fiscal e bancário de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, pela CPMI do INSS adiciona um novo elemento de risco ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O episódio ocorre em um momento em que pesquisas indicam uma perda de fôlego do petista e um encurtamento significativo na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, destaca que o desgaste é imediato. “O fato do filho do presidente ser alvo de uma quebra de sigilo, obviamente que, por si só, já é uma notícia desagradável para o governo”, afirmou durante o programa Mapa de Risco, do InfoMoney.
Após a quebra de sigilo, deputados pedem prisão e extradição de Lulinha. A representação, assinada por 47 parlamentares, menciona risco de evasão; a CPMI aprovou a quebra de sigilo do filho de Lula.
A CPMI do INSS investiga um esquema de descontos associativos não autorizados sobre benefícios de aposentados e pensionistas, no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
Segundo investigadores, mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, mencionam o repasse de ao menos R$ 300 mil para o “filho do rapaz”, que, segundo a PF, se refere a Lulinha.
O cientista político ressalta que o impacto político pode se intensificar dependendo dos desdobramentos. “É ruim agora, mas eventualmente pode ser pior na frente”, ponderou Noronha, destacando que a divulgação de dados relevantes poderia aprofundar o desgaste.
A analista política da XP, Bianca Lima, apontou que o tema da corrupção tem assimetria no debate público. “Essa temática é uma temática que serve muito para a oposição, e que fere muito mais o governo”, afirmou.
Esse caso surge em um momento delicado, já que o Planalto tenta colher os efeitos de medidas econômicas adotadas em 2025 e enfrenta oscilações negativas nas pesquisas.
O pano de fundo é o novo levantamento da AtlasIntel, divulgado na quarta-feira (25), que mostrou empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno. A diferença, que era de dois dígitos no início do ano, desapareceu, consolidando um cenário de polarização apertada.
Cerca de 80% do eleitorado já se concentra nos polos Lula e Bolsonaro, restando uma fatia reduzida de votos efetivamente disputáveis. Nesse contexto, episódios com potencial de desgaste tendem a pesar mais sobre o eleitorado menos ideológico.
A conclusão do programa é que o impacto do caso Lulinha não deve alterar o voto do núcleo duro do petismo, mas pode influenciar eleitores indecisos ou menos engajados, justamente o segmento que tende a decidir uma eleição marcada por margens estreitas. Com mais de um ano até o pleito, ainda há espaço para reconfigurações no cenário.
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