olhardigital

Maior mapa do Universo em rádio revela mais de 13 milhões de fenômenos

Mapa do Universo em rádio revela mais de 13 milhões de fenômenos

Astrônomos finalizaram um extenso levantamento do Universo em ondas de rádio, utilizando o LOFAR, a rede de radiotelescópios de baixa frequência mais sensível do mundo. Essa pesquisa resultou na identificação de mais de 13 milhões de objetos e fenômenos cósmicos, com os resultados publicados na revista Astronomy & Astrophysics.

A investigação evidencia como o Universo se transforma quando observado em ondas de rádio, ao invés de apenas na luz visível. Enquanto a visão humana abrange apenas uma fração do espectro eletromagnético, os radiotelescópios captam sinais invisíveis que revelam estruturas anteriormente ocultas.

Entre os dados obtidos, estão:

- O maior levantamento do Universo em ondas de rádio realizado até hoje.
- A identificação de mais de 13 milhões de fenômenos cósmicos.
- A detecção de jatos de partículas gerados por buracos negros ativos.
- A observação de radiogaláxias antigas e campos magnéticos galácticos.

Dentre os registros, encontram-se jatos de buracos negros supermassivos, galáxias em colisão e explosões de supernovas, que marcam o fim de estrelas massivas. Algumas dessas explosões resultam em estrelas de nêutrons, que são extremamente densas.

A maioria das grandes galáxias abriga um buraco negro central com massas milhões ou bilhões de vezes superiores à do Sol. Entretanto, nem todos esses buracos negros estão ativos. Eles se tornam brilhantes quando começam a acumular matéria, formando o núcleo galáctico ativo (AGN).

Quando há uma grande quantidade de gás e poeira girando em torno do buraco negro, um disco de acreção se forma, onde o material aquece e emite energia em diversas frequências. Essa intensa gravidade transforma o centro da galáxia em uma das regiões mais luminosas do cosmos.

Os campos magnéticos poderosos desviam parte do material para os polos do buraco negro, acelerando partículas a velocidades próximas à da luz e lançando-as em jatos opostos. Esses jatos podem se estender por distâncias superiores à própria galáxia.

As emissões de rádio detectadas pelo LOFAR provêm principalmente dessas partículas aceleradas, que, ao cruzarem campos magnéticos, produzem ondas de rádio intensas. Isso possibilita que os cientistas mapeiem a estrutura e o tamanho desses jatos com precisão.

O levantamento também revelou algumas das maiores e mais antigas radiogaláxias conhecidas, permitindo a comparação de buracos negros em diferentes fases de evolução e a análise do impacto do ambiente galáctico nesses processos.

Os dados coletados pelo LOFAR oferecem uma visão abrangente do Universo em rádio, captando sinais de eventos cósmicos energéticos que moldam a evolução galáctica. Ao combinar essas observações, os pesquisadores conseguem mapear não só os jatos de buracos negros, mas também a dinâmica de outros fenômenos violentos, proporcionando uma imagem mais completa da transformação do cosmos ao longo do tempo.

Com milhões de galáxias analisadas, os cientistas também investigaram a formação de estrelas. Em grandes aglomerados, choques e turbulências parecem fortalecer campos magnéticos por extensas distâncias. A equipe de pesquisa afirma que esses processos são mais frequentes do que se pensava.

O levantamento trouxe novas informações sobre a Via Láctea, cuja localização dificulta o mapeamento de seus campos magnéticos. As frequências utilizadas pelo LOFAR permitiram observar vastas áreas do céu com alta precisão, oferecendo uma perspectiva inédita da estrutura magnética galáctica.

Outro achado significativo foi a detecção de sinais possivelmente relacionados à interação entre exoplanetas e suas estrelas. Esses indícios ainda necessitam de mais investigações, mas ilustram como a radioastronomia pode revelar fenômenos pouco visíveis em outras faixas de luz.

A equipe já se prepara para a próxima fase do projeto com o LOFAR 2.0, que promete dobrar a velocidade de observação e aprimorar a qualidade dos dados.


← Voltar para as notícias