Lulinha se coloca à disposição do STF para ‘esclarecimentos’ na investigação do INSS
Lulinha se oferece para esclarecer investigação do INSS
25/02/2026 19h51
A defesa de Fábio Luiz Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para acessar os autos do inquérito que investiga irregularidades em descontos do INSS. Conhecido como Lulinha, ele não foi alvo da operação Sem Desconto, mas seu nome foi mencionado por uma testemunha, que alegou que ele teria colaborado com o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS", para facilitar negócios no Ministério da Saúde.
De acordo com nota do advogado Guilherme Suguimori, Lulinha se colocou à disposição do STF para prestar "qualquer esclarecimento eventualmente necessário", desde que tenha acesso prévio às informações da investigação, que ocorre em sigilo.
“Embora Fábio Luiz não tenha sido alvo da operação ‘Sem Desconto’ nem tenha sofrido medidas judiciais, consideramos essencial solicitar ao STF o acesso aos autos, especialmente após a publicação de matérias acusatórias e difamatórias que contêm trechos do inquérito sigiloso”, afirma a defesa.
“Ao formalizar o pedido, Fábio também se ofereceu para fornecer esclarecimentos ao tribunal, o que poderá fazer assim que receber acesso aos dados”, acrescentou.
A defesa reiterou que Lulinha não tem qualquer ligação com as fraudes do INSS, não participou de irregularidades e não recebeu valores provenientes de práticas criminosas.
Alguns investigados na Operação Sem Desconto estão em processo de negociação de delação premiada com a Polícia Federal, que ainda aguarda homologação pelo STF. Entre esses, está Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador do INSS, suspeito de participar do esquema de descontos indevidos a aposentados e pensionistas, e que está preso desde novembro de 2025.
A informação sobre a delação de Virgílio foi divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada pelo GLOBO.
No final do ano passado, a PF informou ao STF sobre menções a Lulinha no inquérito, destacando que ele poderia, em tese, atuar como sócio oculto do careca do INSS. Contudo, a PF enfatizou que não existem "indícios" de que Lulinha esteja diretamente envolvido nas condutas relacionadas aos descontos fraudulentos. O relator do caso no STF é o ministro André Mendonça. A informação foi reportada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO.
Recentemente, o GLOBO revelou um áudio em que uma empresária próxima de Lulinha discute com o careca do INSS sobre a dispensa de licitação para o fornecimento de remédios à base de cannabis ao Ministério da Saúde, embora o contrato não tenha sido concretizado.
A PF investiga se, além de suas atividades no INSS, o careca tentava expandir sua rede de negócios para outros órgãos públicos, como o Ministério da Saúde.
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