Roberta Luchsinger

Lulinha: CPMI do INSS aprova quebra de sigilo fiscal do filho do presidente em sessão tumultuada; o que se sabe sobre acusações contra filho do presidente

Quebra de sigilo fiscal de Lulinha aprovada em sessão conturbada

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga um esquema de fraudes bilionárias no INSS deu um passo significativo ao aprovar a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, nesta quinta-feira, 26 de fevereiro. A sessão foi marcada por tumultos, com confrontos entre parlamentares e uma controvérsia sobre a contagem dos votos.

A oposição levantou dúvidas sobre a votação, alegando erro no processo, mas o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), rejeitou o pedido de anulação. A bancada governista então recorreu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas sua decisão ainda não foi divulgada.

A quebra de sigilo tem como objetivo investigar a possível conexão de Lulinha com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS". Em dezembro, durante uma nova fase da operação 'Sem Desconto', a Polícia Federal revelou pagamentos que totalizam R$ 1,5 milhão, feitos por Antunes a uma empresária próxima do filho do presidente, Roberta Luchsinger. Esta operação também resultou na prisão do "número 2" do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal.

Uma das transferências, no valor de R$ 300 mil, foi mencionada em mensagens da investigação, nas quais Antunes indicava que o montante seria destinado ao "filho do rapaz". Até aquele momento, Lulinha não era oficialmente investigado.

Em resposta a indagações sobre o caso, o presidente Lula afirmou que todos os envolvidos no esquema de descontos ilegais seriam investigados, incluindo, se necessário, seu próprio filho.

As investigações indicam que Antunes era um dos principais operadores do esquema, recebendo valores indevidos de aposentados e pensionistas, repassando parte dos recursos a funcionários do INSS e suas conexões.

A Polícia Federal também identificou que os pagamentos feitos por Antunes foram direcionados à empresa RL Consultoria e Intermediações, de Luchsinger. Os repasses ocorreram através de uma empresa de fachada, a Brasília Consultoria Empresarial Ltda., que justificava serviços não prestados.

Luchsinger é vista como uma figura chave na ocultação de patrimônio e na movimentação de valores, estabelecendo um elo entre Lulinha e Antunes em projetos na saúde.

Mensagens analisadas pela PF revelam que Luchsinger alertou Antunes sobre uma investigação em andamento e mencionou que, em uma situação anterior, também surgiram acusações envolvendo Lulinha.

A CPMI havia recusado anteriormente convocar Lulinha para prestar esclarecimentos, apesar das pressões da oposição, que defendia a necessidade de sua oitiva para esclarecer possíveis ligações com o esquema.

O pedido foi reforçado após o depoimento de uma testemunha que alegou que Lulinha recebia uma "mesada" de Antunes. O requerimento foi rejeitado por 19 votos a 12.

Em investigações anteriores, Lulinha já havia sido mencionado em casos que envolviam supostas irregularidades financeiras, incluindo processos relacionados a você e a Operação Lava Jato. Em 2019, ele foi denunciado por suposto recebimento de vantagens indevidas de Oi/Telemar e, em 2020, foi investigado por repasses de mais de R$ 100 milhões.

Atualmente, Lulinha reside na Espanha e é esperado que retorne ao Brasil apenas após o término do mandato de Lula. Ele foi contratado por uma empresa em Madri.

A investigação sobre o INSS revelou um esquema bilionário que afetou inúmeros aposentados, com descontos não autorizados nos benefícios. Entre os investigados, estão servidores públicos, incluindo o ex-presidente do INSS, que foi demitido e preso em novembro.

O empresário Antunes, preso em setembro, é considerado um facilitador do esquema, com empresas atuando como intermediárias financeiras das associações envolvidas nas fraudes.


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