Fábio Luís Lula da Silva

Lulinha admite viagem paga por “Careca do INSS”, mas nega sociedade, diz jornal

Lulinha confirma viagem custeada por “Careca do INSS”, mas nega sociedade

02/03/2026 08h35

Atualizado 22 horas atrás

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, admitiu a amigos próximos que teve suas despesas de viagem e hospedagem em Portugal pagas pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”. Antunes está preso sob suspeita de corrupção relacionada a fraudes bilionárias contra aposentados, conforme reportado pelo jornal Estadão.

De acordo com sua versão, relatada ao jornal, a viagem ocorreu no final de 2024 com o intuito de visitar uma fábrica de cannabis medicinal, sem que houvesse qualquer sociedade ou troca de valores.

A conexão entre Lulinha e Antunes chamou a atenção da Polícia Federal após um ex-funcionário de Antunes alegar que eles seriam sócios e que o empresário pagaria R$ 300 mil mensais ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A PF encontrou também mensagens em que o lobista mencionava pagamentos de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”, sem identificação clara. A investigação tenta determinar se a menção se refere a Lulinha.

Além do inquérito da PF, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou a quebra de sigilo bancário do empresário para investigar possíveis movimentações financeiras relacionadas ao caso.

Versão apresentada por Lulinha

Conforme relatos a interlocutores do Estadão, Lulinha declarou que conheceu Antunes através da empresária Roberta Luchsinger, que também está sob investigação por receber pagamentos do lobista.

Ele alega ter sido convidado para conhecer uma planta de cultivo de cannabis medicinal na região de Aveiro, em Portugal, e que viajou em primeira classe com todas as despesas cobertas por Antunes.

Ainda segundo sua versão, houve um convite para integrar um empreendimento no setor, mas as negociações não avançaram. Lulinha nega ter recebido qualquer quantia do lobista, afirmando que suas movimentações bancárias mostram apenas a entrada de dividendos de suas próprias empresas, que, segundo ele, não prestaram serviços a Antunes.

Documentos apreendidos pela PF, divulgados pelo jornal, revelam que Antunes estava em negociações para adquirir um galpão em Aveiro por 2,7 milhões de euros, com um pagamento inicial de 100 mil euros no início de fevereiro de 2025. Os registros não mencionam Lulinha.

A investigação indicou que o projeto empresarial não teve continuidade após Antunes se tornar alvo da Operação Sem Desconto. O lobista está detido sob suspeita de ter intermediado pagamentos milionários a ex-dirigentes do INSS.

A polícia investiga se repasses a familiares desses agentes públicos configuram indícios de propina em troca de favorecimentos a entidades responsáveis por descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Lulinha afirma desconhecer qualquer envolvimento de Antunes com o esquema investigado e nega qualquer ligação com as irregularidades atribuídas ao lobista.


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